terça-feira, 23 de outubro de 2012

Lady of peace - part 6



Sentados em um banco ao lado de fora da festa, Edgar e Elizabeth permaneciam em silencio. O único barulho era o do vento, e do vinho sendo servido nas taças de cristal. Haviam se retirado do salão sem esperar que a música terminasse, e sem se importar com os olhares curiosos ao redor.  Os pensamentos de ambos vagavam, e se perdiam junto à noite fria.
- Eu não sei o que dizer...
- Então não diga nada, apenas aprecie o momento, aprecie a brisa fria da noite batendo em seu rosto – Elizabeth falou, suspirando baixinho sem saber o que dizer também.
- Prefiro apreciar a sua presença, não é sempre que tenho a sorte de encontrar mulheres como você – Edgar disse sorrindo.
- Mulheres como eu? E o que teria eu de diferente das outras? – ela ri.
- Tudo, outras no seu lugar não estariam aqui comigo, sentada, bebendo vinho... – ele constata.
- Estariam na sua cama não é mesmo? – ela ri com sarcasmo.
- Estariam – ele sorri.
- Estou comprometida Edgar – fala em tom sério.
- Isso nunca as impediu querida Elizabeth – sorriu maliciosamente.
- Estou certa que sim – ela ri. - Meu noivo esta se divertindo com sua amante neste exato momento - “e eu negando esse deus grego” ela pensa.
- E o que a senhorita acha de uma vingança de igual para igual?
- Não me deitarei com um homem por vingança... e além do mais você está bêbado. Nós estamos bêbados! – ela diz, decidida de que não irá se render aos encantos do Lord. – Estou certa de que cometeríamos um erro.
- Se preferir assim, sabe que não irei força-la a nada – “não agora” – Mas me responda uma coisa, e se não estivesse comprometida? – ele a pergunta, o olhar curioso enquanto enche mais uma taça.
- Não sou obrigada a responder Edgar – diz com o sorriso sarcástico de sempre.
- Não é, mas também não negou – ele ri.
- O senhor me deixa extremamente confusa, e não duvido que este seja o seu objetivo, então creio que é melhor pararmos por aqui – “continuar a conversa não seria uma boa escolha” pensa.
- E pretende fazer o que? Fugir de mim para sempre? – ele pergunta.
- Eu pretendo, pretendo fugir de tudo aquilo ao qual possa me apegar.
- E você acha que poderia se apegar a mim Elizabeth? – pergunta, insistindo para que o assunto não terminasse.
- E-eu, eu não sei... – sua voz tremendo um pouco, uma reação não esperada nem por ela mesma - Preciso ir, está escuro demais aqui fora, e bebi mais do que deveria então...
Suas palavras são silenciadas por um par de lábios masculinos. Agora os dois estavam de pé.
E próximos. Muito próximos.
Confusa entre o desejo e a razão, Elizabeth esforça-se em afastar o peito forte de Edgar com as mãos, mas ele cada vez os aproxima mais, fazendo com que os lábios dela se abram em resposta aos seus.
- Apenas seja minha essa noite, Elizabeth.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Lady of peace - part 5



O ódio estava estampado na face de Elizabeth. Seus olhos começavam a formar indícios de lágrimas, mas ela era forte e orgulhosa, jamais permitiria que elas caíssem.
Ela estava sendo obrigada a dançar com um homem desconhecido, do qual suas intenções estavam impressas na testa, sendo ela uma jovem comprometida?
E no fundo, sabia que Louis iria procurar alguém para se divertir, alguém como a sua... amante. Sim, ela sabia que Louis tinha uma amante, a Lady Katherine Les Paul, uma morena de beleza exuberante, mais velha do que ela, mais experiente.  
Ela não era ingênua, por mais nova que fosse, no auge dos seus 18 anos de idade, sabia como as coisas funcionavam.
E na sua frente estava o cara mais lindo que já conhecera, forte, sedutor, viril, extremamente atraente, e que fez seu corpo pulsar ao menor sinal de aproximação.
Mas Elizabeth precisaria manter as aparências e fingir desinteresse, pois se ele percebesse algo, ela sabia muito bem onde iriam parar.
Edgar percebera a confusão que se passava na mente de Elizabeth, percebera a sua aflição e desconforto por estar ali, e isso o intrigou.
Nunca uma mulher se sentira assim na sua presença. Elas sempre se jogavam, se ofereciam, sem ele ter que fazer esforço algum, apenas dar uns sorrisos, piscar o olho algumas vezes... e pronto, elas já estava em seus braços.
Mas Elizabeth não era como as outras, e ele estava prestes a descobrir isso.
- A próxima música já irá começar Elizabeth, e está me devendo uma dança – ele sorri gentilmente, mudando sua tática.
- Tenho ouvidos Edgar, sei que a próxima música vai começar – ela diz em meio a uma careta – vamos logo com isso, não quero que dure mais do que o necessário.
Edgar a pegou pela mão, levando-a até o centro do salão. Ao chegarem, beijou a mão de Elizabeth com cortesia, e a colocou sobre seu ombro, enquanto uma de suas mão a segurava pelo quadril, diminuindo a distância.
- Sabe dançar? - Edgar perguntou divertido.
- É claro que sei dançar, sou uma Lady – responde irritada.
- Oh! Uma Lady! - ele ri - Então me responda por favor, porque estás tão tensa? Não irei morde-la – “Não agora” sussurra a mente de Edgar.

“Será que ele não sabe que estamos próximos demais? Ah, é claro que ele sabe”
Elizabeth estava lutando contra si mesma, e contra o calor provocado por aquele corpo a sua frente. Ela sentiu seu rosto corar e pensou em se afastar, mas não faria isso.
Ela levantou o rosto para Edgar e olhou em seus olhos, sorrindo, e então segurou firme em sua mão e esperou que a melodia começasse.
Edgar se sentiu atordoado por longos segundos.
Era a primeira vez que conseguia olhar em seus olhos, e viu muito mais do que queria.
Como se aqueles olhos transmitissem todas as angustias da sua alma.
Sem pensar, ele a soltou de repente, seus braços caindo ao lado do corpo, como se tivesse sido hipnotizado.
- Está tudo bem Edgar? Acha que consegue dançar também – ela brinca, tentando aliviar o clima embaraçoso que havia se formado entre eles.
Edgar sentiu seu coração bater mais forte quando ouviu seu nome ser pronunciado por aqueles lábios, enquanto analisava os olhos azuis.
- Não sei, não sei de mais nada... – ele respondeu

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Lady of peace - part 4



Desde o dia em que a vira pela primeira vez, em um de seus luxuosos bailes de mascaras, usando um vestido branco, os cabelos presos em um penteado perfeito, a pele de porcelana e o corpo extremamente desejável, Edgar sabia que precisava tê-la em sua cama à noite, nua e ao lado de lençóis amarrotados.
Como um bom anfitrião ele se dirigiu até ela, da qual desconhecia por completo, mas disposto a saber muito mais do que o nome.
Ela o encarava enquanto via-o se aproximar a passos lentos e decididos, o olhar dela era sério, sem transpassar nenhuma emoção.
- Uma bela noite, não achas? – Edgar perguntou com um sorriso maroto nos lábios.
- Uma bela noite, sim – Ela sorri, sem demonstrar o menor interesse.
- Está gostando do baile? – Edgar pergunta novamente, decidido a conquista-la o suficiente para tê-la em seus braços por uma noite.
- O senhor que mesmo saber? Pois bem, entediante como todos os bailes da alta sociedade – responde a jovem com um sorriso falso.
- Entediante? – Edgar ri com gosto – E o que achas de me acompanhar em uma dança? Posso fazer a noite ficar mais... agradável – ele diz com um sorriso malicioso em seus lábios.
- Agradável? – ela ri - Estou acompanhada, e mesmo que não estivesse não lhe daria tamanha honra – a expressão da jovem tornando-se divertida.
- Acompanhada? – Edgar olhou ao redor, procurando por alguém que nem ao menos sabia como era – Minhas desculpas senhorita, poderia eu saber quem recebeu tamanha honra? – sorri, resolvendo que entraria no seu jogo.
- Meu noivo o Lord Louis Fielding, aquele que está sentado próximo à área de fumantes. – disse ela gesticulando para o lado esquerdo ao qual se encontravam.
Edgar dirigiu seu olhar para onde se encontrava um homem de estatura baixa, cabelos loiros e aparência cansada, perguntando-se qual o problema com ela para estar noiva de uma fraude da sociedade.
Afinal ele o conhecia muito bem, Lord Louis era um de seus seguidores, mas não poderia dizer que um seguidor fiel, pois nunca foi.
- Chame-o para juntar-se a nós e... desculpe-me, esqueci de perguntar o seu nome senhorita.
- Lady Elizabeth Thomson – respondeu, enquanto ia ao encontro de seu noivo.
Edgar a observava, sem ao menos tentar disfarçar seu iminente interesse, ela tinha passos leves que lembravam anjos, uma postura ereta, e um brilho tão natural, que ofuscava até mesmo o salão mais luxuoso da corte. Ele viu-a se aproximar do noivo, sussurrar algumas palavras em seu ouvido, e logo em seguida puxa-lo para que se juntasse ao outro lado, enquanto pensava consigo mesmo se seria um problema para ele virar amante por uma noite.
- Edgar! – Louis gritou, antes mesmo de chegar – Há quanto tempo meu Senhor!
Edgar sorri em resposta, um sorriso falso, enquanto observava a surpresa nos olhos de Elizabeth.
- É uma honra ser chamado até aqui, no que posso servi-lo? – Louis pergunta, sorrindo com sinceridade.
- Gostaria de dançar com essa bela moça de nome Elizabeth Thomson, a qual se auto intitula sua noiva. – ele sorri, observando Elizabeth corar.
- Mas o que está esperando meu Senhor, fique a vontade – Louis diz, enquanto entrega a mão de Elizabeth a Edgar, o sorriso não tão sincero em seus lábios agora.
- N-não! C-como ousa me entregar a outro homem!? – Elizabeth estava furiosa e envergonhada, e o divertimento de Edgar só aumentava.
- É só uma dança querida, além do mais esse é o Lord Edgar Linton, o dono do salão e o homem que promoveu este baile. Apenas divirta-se – Louis sorri para sua noiva e a beija na testa, deixando-a para trás com o Lord mais cobiçado e desejado de todos os tempos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Lady of peace - part 3



Cansado e nervoso, Edgar retirou-se do salão, encerrando mais um dia fatídico de acordos de poder.
Com passos rápidos e decididos caminha em direção aos seus aposentos, esperando encontrar o seu copo de Xerez no lugar de sempre. Uma rotina da qual não se cansa.
‘Sentar-se na poltrona com o copo na mão, as janelas abertas permitindo a entrada de uma brisa fresca, e por fim, fechar os olhos e descansar a mente...’
Era nisso que seus pensamentos fixavam-se no momento, enquanto percorria os grandes corredores.
Sua amante deveria estar no lugar de sempre: ao redor do lago, em baixo da sombra de uma bela arvore acompanhada de alguma servente para que pudesse ser abanada, enquanto degustava de algumas frutas saborosas e...

“- Eu preciso de um pouco mais de atenção, sinto-me esquecida por ele, sempre envolvido em assuntos de negócios, há muito tempo não sei o que é passar o dia com o meu Senhor, a sós”
“- Minha Senhora, se me permite perguntar, ele não a procura mais, durante a noite?”  
“- Sim Piccolo, ele ainda me procura a noite, mas eu preciso de um pouco mais do que um contato carnal... sinto falta da época em que corríamos pelos gramados, nos molhávamos no riacho, sinto falta das coisas simples.”
“- A Senhora chegou a conversar com ele sobre isso?”
“- De forma alguma! Não quero incomodá-lo, muito menos chatea-lo com minhas vontades tolas.”

Edgar havia parado, suas costas estavam escoradas na parede rochosa, enquanto forçava-se a escutar a conversa vinda de não muito longe dali.
Seus pensamentos vagavam entre passado e presente, enquanto ouvia Elizabeth desabafar com Piccolo, um dos serventes mais próximos a ela.
Sempre foi uma mulher sem preconceitos, de gostos simples, algo do qual admirava.
Edgar sentiu o coração apertar enquanto sua mente era invadida por lembranças.
Muitas coisas haviam mudado desde que assumiu o seu posto. Uma delas era sua vida com Elizabeth.
Agora eram mais maduros, rodeados de compromissos, e a frequência com a qual ficavam a sós era cada vez menor.
A verdade é que também sentia falta de tudo que vivera um dia.
Em seus tempos de liberdade, cometera muitas insanidades, vivendo intensamente cada momento.
Um libertino nato, acostumado a conquistar todas as mulheres que desejou, e eis que do dia para a noite, se vê enredado pela resistência de Elizabeth.
‘Uma jovem rica, de gostos simples, e perturbadoramente linda.’
Era assim que a descrevia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lady of peace - part 2


Caminhando pelos vastos corredores, entre construções monumentais e pequenas flores amarelas, Elizabeth Thomson refletia sobre sua vida até esse momento.
Nascida em uma família de nobres, criada e educada em meio aos luxos da corte, nunca soubera como era a realidade dos pobres.
Seu único conhecimento sobre o assunto era baseado no que seus servos lhe contavam, entre um banho e outro.  Muitos desses servos nascidos no Vilarejo de Misfit, vilarejo ao qual Edgar atacara durante a madrugada.
Elizabeth sentiu um aperto no peito, seu Senhor acabara de destruir, não só mais um vilarejo, mas também famílias, histórias, sonhos. Isso tudo a perturbava.
Nunca aprovara tais atitudes, mas sabia que a luta pelo poder não pode ser evitada.  
Ela é necessária.
Seu único desejo era que todos pudessem viver em perfeita paz, sem sangue derramado.
Mas como? Ela temia nunca encontrar a resposta.
- Uma bela pintura, não achas Senhorita? – A voz de um dos servos interrompe seus pensamentos, quebrando o silencio.
Ela olha em direção a voz, percebendo que estivera parada há bastante tempo ao lado de uma pintura de Edgar, feita por Pierre-Auguste Renoir.
- Uma bela pintura, sem dúvida – ela respondera, um pequeno sorriso formando-se em seus lábios.
E o aperto no peito se misturou com o calor que sentia toda vez que o olhava.
De estatura alta, cabelos pretos e desarrumados, corpo forte transpassando toda a sua virilidade, um rosto magro, composto por belos olhos castanhos, um sorriso extremamente sedutor e ao mesmo tempo sarcástico, capaz de derreter até o mais frio dos corações, Edgar Linton era o homem mais poderoso que já existiu, mesmo com seus 35 anos de idade, fizera muito mais do que homens que estiveram por muitos anos no poder. Ele era sábio, inteligente, estrategista, sem sombra de dúvidas um Lord invejável e cobiçado.
Sempre cercado de belas mulheres e homens de negócios, nunca perdera uma oportunidade sequer. 
Porém o que poucos sabem, é que atrás de toda essa capa de gloria, poder e riqueza, existe um homem comum, que anseia pelas coisas simples da vida.

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Ainda reunidos no salão, os membros da corte buscavam respostas, respostas rápidas e vantajosas. Eles queriam poder, glória, riquezas. A eterna busca por uma vida fútil, onde o único objetivo é ser o melhor, o melhor em tudo. Esquecendo-se que o mais importante é enriquecer o espírito.
Homens formados por um exército de desejos e vontades. Perdendo-se em um mar de caprichos e reivindicações.
Edgar tornou a sentar-se no trono, agora mais calmo e decidido.
Iria atacar o Vilarejo de Angra, lugar onde muitos se refugiaram durante a madrugada.  Seus homens estavam planejando o ataque cuidadosamente, à ordem era atacar de surpresa durante a noite, tudo deveria ser meticulosamente preparado, um erro se quer traria sérias consequências.
- Meu Senhor, não acha que está indo longe demais com a vingança? – Interrogou Victor, preocupado.
- Não deixarei pedra sobre pedra! – A face de Edgar se enrijeceu, tornando-se dura e fria novamente. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Lady of peace - part 1


- Leram o informativo de hoje? Parece que temos boas noticias... – Edgar balbuciou aquilo com uma ironia incontida na voz, o sorriso sarcástico brotando em sua boca, suas feições duras, acompanhadas de sua risada diabólica ecoando através do grande salão.
Todos os membros presentes se arrepiaram, como sempre fazem ante a sua presença.
 - Meu Senhor... parece que finalmente conseguimos destruir aquele vilarejo. - Um dos conselheiros interviu, de forma sutil.
- Não só o vilarejo Victor, mas também toda aquela região – O sorriso de Edgar alarga-se cada vez mais, tomando sua forma sombria.
- É uma lástima que as crianças tenham pagado por isso, elas nem eram nascidas quando tudo aconteceu.
- Lástima?! Aqueles bastardos mereceram cada punição imposta a eles, seus pais ousaram nos desafiar um dia, e pagaram o preço. Aquele sangue imundo corria nas veias delas também! – Edgar levantou-se do trono em um pulo, as veias dilatando-se por todo a extensão de seu corpo.
- Acalme-se, meu Senhor, alterar-se agora só irá nos trazer complicações – Sussurrou sua amante Elizabeth ao pé do ouvido.
Edgar abruptamente a olhou, seus olhos tão penetrantes nos dela que era quase como se lhe enxerga-se a alma.
Ali ao seu lado estava a mais bela mulher que já conhecera, de cabelos ruivos, pele clara e macia, olhos azuis, o nariz fino, lábios avermelhados e voluptuosos, um corpo extremamente desejável, ele só conseguia pensar em como ela era uma boneca de porcelana esculpida pelos deuses. A combinação perfeita de fragilidade e sedução.
Sem pensar, Edgar a puxou de encontro a si, seu peito de aço moldando-se com o corpo delicado e feminino de sua amante, suas mãos percorrendo-a com urgência, seus lábios indo de encontro aos dela, o desejo percorrendo por todas as partes, de forma quase incontrolável.
- Edgar... querido, estamos no meio de um salão, não creio que seja uma boa hora para isso – Elizabeth sussurra em seu ouvido novamente, um sorriso malicioso brotando em seus lábios.
- Creio que não – ele ri - mas é só olhar pra você e logo me perco! Preciso aprender a controlar meus instintos, Elizabeth. – Edgar a fita nos olhos novamente, enquanto as pontas dos seus dedos percorrem o rosto de porcelana. – Você me acalma como ninguém, e ao mesmo tempo me enlouquece!
- Acredito que este seja o papel de uma boa amante, meu Senhor - Ela sorri novamente, puxando o rosto de Edgar com delicadeza e mordendo seu lábio inferior de forma sedutora. Ela estava provocando-o.
Uma voz os interrompe.
- Meu Senhor, precisa que nos retiremos do salão?
- Não é necessário Victor, temos assuntos importantes á tratar – Edgar sorri, e por um momento desviou os olhos de Elizabeth, soltando-a de seus braços e despedindo-se com um beijo – À noite resolvo meus assuntos com Elizabeth – diz, seu sorriso malicioso e perfeito tomando conta de suas feições.
- Certamente, meu Senhor – Victor ri divertido, e todos os membros presentes no salão riram em conjunto, baixinho, enquanto observavam Elizabeth se afastar, com passos angelicais. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

I Love Rock N' Roll


Estou andando pela centro da pacata cidade onde moro, e Smoke on the water é a minha trilha sonora.
Vestindo jaqueta de couro preta, camiseta de banda, calça rasgada, e tênis All Star detonados.
A maquiagem é básica, muito rímel para dar um efeito de cílios postiços, batom vermelho dando um contorno perfeito aos lábios.
Como de costume meus fones de ouvido pulsam a todo volume, de um jeito que mal consigo ouvir os ruídos vindos da rua.
'Isso aqui parece o velho oeste!
Posso até ver os fenos voando para lá e para cá...'
Olho para o lado, várias pessoas entrando em um bar, rindo com uma malícia nos lábios, e eu os sigo.
'Casa do Rock'  dizem os letreiros da entrada.
Um lugar pequeno, meio acabado, e todo pichado com frases nada lisonjeiras.
Tiro meus fones, e me aproximo mais.
Sinto meu corpo todo arrepiar com o som da guitarra vindo de dentro.
"Bem vinda ao lar" sussurra minha mente.
Passo pela porta de entrada, enquanto uma música é cantada por todos em uma energia contagiante.
Levanto a cabeça e inspiro profundamente enquanto lembranças me invadem.
Encho meus pulmões com o aroma do lugar, olho para frente e caminho em direção a um grupo...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Agora e Sempre - Judith McNaught


Estou postando aqui no meu blog uma parte do meu livro preferido, talvez vocês gostem também, adoro todas as histórias que a Judith McNaught escreve, são incríveis...



"Ela era tão linda, franca e honesta, que a armadura de cinismo que circundara Charles durante trinta anos começou a derreter, fazendo-o sentir-se subitamente vazio e solitário. Sem se dar conta do que fazia, ele ergueu a mão e, com a ponta do dedo, tocou de leve a face de Katherine, murmurando com ternura:

— Espero que o homem que venha a amar seja digno de você.

Por um momento interminável, Katherine estudara-lhe as feições, como se fosse capaz de enxergar-lhe a alma. Então, sussurrara baixinho:

— Eu acho que é mais uma questão de saber se eu posso ser digna dele. Ele precisa muito de mim, mas só está começando a perceber isso agora. "


terça-feira, 26 de junho de 2012

Victoria - part 2


Caminho até a cozinha, e meus pensamentos estão me torturando. Seu rosto, seu corpo, tudo nela está me deixando louco.
Olho para trás, uma das mulheres mais incríveis que conheci está sentada no meu sofá velho e desbotado. A minha melhor amiga.
Então me lembro que prometi preparar um café, e me concentro nisso.
- Precisa de ajuda Jason? - ela me pergunta, ainda sentada no sofá.
"Sim, preciso tira-la da cabeça, acha que pode me ajudar?!"
- Não, já preparei café antes - respondo com um tom de voz irritado.
- Hey, o que há de errado com você!? - ela se levanta do sofá, posso vê-la vindo em minha direção.
- Já disse que não tem nada de errado - falo, sentindo que já estou alterado de mais, e sabendo que é hora de me calar e me acalmar antes que eu faça mais uma besteira, mas sabendo que auto-controle não é um das minhas especialidades.
- Não precisa mais fazer a droga do café, vou embora - ouço-a dizer enquanto se vira para pegar o sobretudo e calçar as botas.
Eu a seguro pelo braço e a puxo de volta, esquecendo que estou com uma jarra de café morno na mão.
Sim, eu consegui derramar o café em cima dela.
- Jason! Como vou para a casa agora? - ela pergunta irritada.
- Não vá, tome um banho, vista uma de minhas camisas, e durma aqui. - respondo, pensando o quanto me agrada a ideia de vê-la usando uma de minhas camisas, deitada em minha cama.
- Esqueça, vou para casa assim mesmo, aqui eu não fico. Alias, suas mudanças de humor me assustam.
- Qual o problema? Até parece que não somos amigos a tanto tempo.
- Exato! Somos amigos! O que está acontecendo com você? - agora é Vitoria que se altera.
"Como se eu pudesse te falar"
- Não espere que eu vá te levar pro hotel. Saia lá fora e espere um táxi abaixo de chuva, você quem sabe - sorrio novamente, com sarcasmo.
- Eu odeio você Jason - ela diz com aquela carinha de brava que só a deixa ainda mais linda.
"Vai me odiar mais quando eu agarrar você e te colocar contra meu corpo e a parede"


segunda-feira, 18 de junho de 2012

É isso...

"Não, eu não queria o homem perfeito que eu idealizei não, eu só queria um homem de verdade. Um homem que namora de verdade, que ama de verdade, que tenta de verdade, que encara a vida de verdade, que sofre de verdade, que tem saudade de verdade, que tem dor de verdade, que é humano de verdade."
(Tati Bernardi)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

12














"Hello Daddy, Hello Mom
I'm your chchchchch cherry bomb
Hello world I'm your wild girl
I'm your chchchchch cherry bomb"
(The Runaways)

A procura da felicidade


00:00
A insônia me perseguindo, de novo.
Eu costumava dormir bastante, era uma pessoa que deitava e apagava instantaneamente, era quase como entrar em coma.
Mas de uns tempos pra cá, as coisas tem sido diferentes.
Pra ser mais exata, desde a metade do ano passado, tudo vem mudando.
Porque eu resolvi mudar, resolvi acordar o 'meu eu' interior.
Me libertar, sem medos, sem receios.
Noites em claro pensando sobre a vida, tentando descobrir quem eu sou.
Bem, ainda não sei quem sou, mas não sou mais a mesma já faz algum tempo.
Uma hora a gente cansa de ser ingênua, iludida, frágil, de ser quem os outros querem que eu seja.
Está na hora de ser eu mesma, me amar um pouco.
Ser feliz, sem ligar para os outros, sem me importar com a opinião alheia. (foda-se a sua opinião)
E quer saber o porque?
PORQUE A VIDA É MINHA!
É só uma, e que só se vive uma vez.
Eu quero é sorrir a toa, fazer piada, dar uma de louca.
Porque essa sou EU.
A de antes era um mero fantoche.
Sou eu que sofro e que passo por tudo, eu é que sei de mim, do quanto eu já suportei, o que vivi, o que passei.
É muito fácil pras pessoas meu julgarem, elas não me conhecem.
Porque não foram elas que passaram por tudo o que eu passei, não sabem nem da metade da minha história até aqui.
Eu tentei ser a melhor, tentei ser perfeita.
Mas cansei.
Porque eu fui tudo, tudo menos feliz.
E agora eu quero aproveitar o tempo que me resta, pra viver de verdade, experimentar todas as formas de felicidade.
Chega de só estar viva, está na hora de VIVER.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

11


Toda vez que olho para você, vejo algo novo
Que me deixa mais animado do que antes e me faz te querer mais
Não quero dormir essa noite, sonhar é uma perda de tempo
Quando olho o que a vida vem se tornando
Tudo se resume a amar você. (Bon Jovi)


terça-feira, 15 de maio de 2012

Amizade Colorida


Estou terminando de escovar meus dentes, quando escuto uma buzina de carro.
Meu coração dá um pulo.
Quatro anos ouvindo essa mesma buzina, toda a manhã, e eu ainda me assusto.
Desço as escadas apressada, vou até a cozinha e pego as minhas coisas.
A porta se abre, e um corpo alto e magro se revela.
- Estou atrasada - digo com um sorriso tímido.
- Não me diga! - ele ri - Se você se apressar, a gente ainda consegue chegar a tempo.
Ele pega as minhas coisas e leva até o carro, como de costume.
Sento-me a seu lado e olho o relógio.
- Não vamos chegar a tempo - ele fala mais rápido.
- Não, droga, vamos perder a primeira aula.
- Droga? Vamos perder a primeira aula, isso é ótimo, não gosto dessa matéria - ele sorri, divertido.
- Sabe que não gosto de perder aula.
- Sempre certinha de mais.
- Sempre despreocupado - digo com uma careta.
Ele liga o carro, e o som do motor é tudo que podemos ouvir.
- E então, o que vamos fazer, já que perdemos a aula? - ele pergunta
- Sei lá, minha vontade é de voltar pra cama e dormir - digo com um bocejo.
- Então vamos - ele sorri, desligando o carro.
- Vamos aonde? - pregunto.
- Voltar pra sua casa - ele fez uma pausa - Mas não dormir, conversar - ele dá um sorriso malicioso.
- Conversar sobre o que?
- Sobre o fato de que eu sempre gostei de você, e nunca admiti.
Silêncio.
Meu coração dá um pulo, e logo depois dispara.
"Tudo bem, isso é sério?"
- Não sei o que dizer - faço uma pausa - Sempre vi você como um...
- Amigo? - ele se adianta
Outra pausa.
- Pensei que você só me visse como amiga, então nunca quis vê-lo de outra forma, pra não estragar tudo.
- Acho que gostei de você desde a primeira vez que a vi, quando você caminhava até a sala, cheia de livros e tropeçou no próprio pé. - ele ri, divertido
Fico vermelha só de lembrar, sempre fui desastrada.
- Obrigado por me lembrar disso - dou um sorriso tímido, e logo depois solto uma gargalhada, me dando conta do que acabou de acontecer aqui.
- O que foi? - ele sorri, duvidoso.
- Ai, eu sou uma boba mesmo!
- Você é - ele fez uma pausa - é a minha boba.
- Acho que no fundo, bem lá no fundo, eu sempre fui.
- Boba? - ele ri.
- Sua - respondo.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Infância


Saudades de quando eu era criança e tudo parecia bom, quando crescer era algo legal, quando meu único medo era do 'homem do saco', quando eu achava que podia saltar de um lugar alto e voar, quando eu pegava a espada do He-Man e saia por ai correndo, gritando, e me achando cheia de poder, quando jogava Super Nintendo, Pac Man, Street Fighter, Super Mário, quando assistia Power Rangers, Caverna do Dragão, Papa Léguas, O Máscara, Tico e Teco, Bananas de Pijamas, Pink e Cérebro, Ursinhos Carinhosos, Bob Esponja, Scoob Doo, Teletubies, Corrida Maluca, Thundercats, Castelo ra-tim-bum, Os Simpsons, Dragon Ball Z, Pokemon, Naruto, Cavaleiros do Zodíaco, Yu-Gi-Oh, Digimon, Coragem o cão covarde..., quando descia de escorregador, e me sujava de terra e areia, quando subia em árvores, quando andava de skate, quando disputava corrida de bicicleta, quando eu acreditava que o mundo era um lugar bom, quando eu confiava nas pessoas e acreditava que existia amor verdadeiro, quando não tinha problemas em ser sincera, quando não havia preconceitos, quando eu tinha alguém pra me por no colo me embalar e dizer: "está tudo bem, já vai passar", quando meu único machucado eram os 'esfolões', quando eu era inocente e achava que todas as pessoas eram legais e confiáveis.
Enfim, saudades de tanta coisa, de um tempo que não volta mais, e que hoje eu vejo, que foi a melhor época da minha vida, e eu não sabia...


quarta-feira, 25 de abril de 2012

8


"Eu fecho meus olhos apenas por um momento, e o momento se foi." (Scorpions)


Sonhos


13:30 da tarde.
Meu celular vibra no bolso.
Um número desconhecido aparece na tela, eu atendo.
- Alô? - diz uma voz masculina, uma que não me canso de ouvir.
- Oi - respondo surpresa.
"Como ele tem meu número?"
- Onde você está agora? - pergunta a voz com certa urgência.
- No centro - falei receosa -  tenho aula de inglês mais tarde.
- Pode vir me encontrar? Estou na aula.
- Posso... porque? - pergunto preocupada.
- Preciso te ver, falar com você - ele faz um pausa - Venha agora. Por favor.
Sinto um frio na barriga, meu coração acelerado, e eu mal consigo falar.
"Ele quer me ver?"
- Ei, você está ai?
- OH! Sim, bem, estou indo - respondo, com um sorriso nos lábios, as maças do rosto queimando.
Desligo.
"O que será que ele quer comigo, agora?"
Olho para o relógio.
"Tudo bem, vamos lá..."
Caminho pela rua, o sol quente sobre a minha cabeça, o mormaço do asfalto em baixo dos meus pés.
E de repente tudo some.
Olho para o lado e o vejo, encostado em uma parede, os braços cruzados sobre o peito, pensativo.
Me aproximo, sem saber ao certo o que estava acontecendo, ele me olha, e um sorriso brota em seus lábios, seus olhos brilhando como dois diamantes, e eu quase me perco ali...
Eu paro quando o vejo se aproximar também, seus passos estão firmes, decididos, e seus olhos continuam em mim.
Ele para na minha frente e segura minhas mãos, nossos dedos se entrelaçando perfeitamente, como se fosse um quebra-cabeça.
E seu sorriso fica cada vez maior, um sorriso sincero, e tímido.
Meu coração para por um momento. E logo depois começa a disparar como um louco.
Minha mão está dormente, e meu corpo recebendo uma descarga elétrica.
"O que está acontecendo comigo?"
Ele me puxa para mais perto de si e me envolve em seus braços, em um abraço de urso, e logo após beija o meu rosto.
Nunca havia me abraçado desse jeito.
Nos separamos por alguns segundos, nossos rostos a milímetros de distancia.
Seu braço está ao redor da minha cintura agora, me puxando cada vez mais perto...
- Vamos?! - pergunta com um sorriso lindo.
- Mas aonde? - falo quase sem fôlego, me sentindo confusa, perdida, e muito feliz.
- Você vai ver - é só o que me responde, seu sorriso cada vez mais divertido.
Ainda sob o efeito do seu abraço, tento me equilibrar e caminhar junto com ele.
Um abraço tão bom... quente, forte e protetor.
Só queria poder eternizar este momento.
Andamos em direção a uma loja logo ao lado, e quatro pessoas estão lá dentro.
Nos esperando?
- E então, é ela? - diz uma voz feminina, sorrindo.
Os quatro me olham e me analisam.
Ele me olha também, e me vira de frente para ele.
Fico de cabeça baixa, toda sem jeito, e não entendendo nada.
Ele levanta meu rosto, segurando meu queixo com a mão.
- É ela - diz, com um brilho tão intenso em seus olhos que mal consigo aguentar...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

6














"Bebendo café e lendo mentiras.
Viro meu rosto e posso vê-la.
Poderia mesmo ser você?" (Sonata Arctica)




Alice



Segunda-feira, 07:30 da manhã de um dia nublado.
Estou tomando café na Starbucks Coffee, um Sumatra bem encorporado, fumando meu Marlboro e lendo um jornal.
A noite passada havia sido terrível, e estava muito cansado.
Não dormi um minuto.
Uma manchete no jornal chama a minha atenção:


Briga em bar termina em morte.


Lembranças da noite anterior tomam conta da minha mente.
Bebo um longo gole de café, desejando com todas as minhas forças que ele pudesse me apagar.
Que me fizesse esquecer de tudo, esquecer dela.
Sinto o gosto do vomito na minha garganta, quase que de imediato.
Meu estômago revirando dentro de mim.
E então eu a vejo... caminhando pela rua, como se nada tivesse acontecido.
Uma alucinação?
Sinto meu corpo todo travar, as veias dilatando, e uma dor horrível na cabeça.
Ela para para olhar a vitrine de uma loja, e posso ver meu reflexo ao seu lado.
Meus dentes começam a ranger, e percebo o quanto estou descontrolado.
Olho para o café em cima da mesa.
"Café de merda"
- Ei, John!
Ouço Paul gritar meu nome.
Largo o jornal em cima da mesa, fumo meu cigarro e deixo o café de lado.
E não tiro os olhos dela, que continua na vitrine, ao lado do meu reflexo morto.
Ela se vira ao ouvir meu nome, seus olhos assustados encaram os meus.
- John!
Paul grita novamente, mas eu não consigo sair dali...
Ela me viu, eu queria que me visse.
- Ei, cara, estou te chamando, qual o seu problema? -  Paul me puxa para trás, irritado.
"Alice, esse é o meu problema"
- Nada, vamos sair daqui. - Falo rápido enquanto me levanto da cadeira, aproveitado o momento.
Paul fica ali parado, me encarando, como se tentasse descobrir alguma coisa.
Ele olha ao redor, e sua mão agarra a gola do meu casaco com força.
- Esqueça ela cara! Não basta tudo o que essa vadia já te fez passar?
Eu o olho, sabendo que tem razão, e sabendo também que provavelmente nunca vou esquece-la.
- Claro que não esqueci! Mas, que droga cara, você não entende.
- É muito simples, ela não te ama, NUNCA AMOU, será que é tão difícil pra você entender?
Vejo a raiva nos olhos de Paul.
- Não é difícil de entender, e sim de aceitar. - Digo em meio a ranger de dentes.
- Ela traiu você, na sua frente, sem dar a minima pra qualquer coisa. E você fica ai, sofrendo por quem não merece!
- Pelo menos o desgraçado está morto. - dou uma risada diabólica.
- E por pouco não foi você quem o matou. - observou Paul
- É uma pena que ele tenha disparado a arma contra si, enquanto lutava comigo... gostaria de te-lo matado eu mesmo!
Descontrolado, jogo o cigarro para longe, sabendo que fui um idiota o tempo todo. Amando com todas as minhas forças uma pessoa que nunca existiu, afinal, ela era uma farsa.
Olho para o lado, esperando encontra-la pela última vez, mas ela não está mais lá.
E juro pra mim que está foi a última vez em que nos vemos...


domingo, 22 de abril de 2012

5


"Não é fácil amar, mas você tem amigos em que pode confiar." (Queen)


O quarteto fantástico?


Sexta-feira, 00:30
Estou voltando de uma festa com meus amigos.
Meus mais novos amigos, para ser exata.
Uma semana que saímos juntos, e já temos muitas histórias para contar.
Dias rindo até passar mal, noites em claro na rua tomando coca-cola, fins de semana no cinema assistindo filmes idiotas e comendo na Pizzaria até passar mal... essa é a minha vida, ultimamente.
Agora estamos aqui, no meio da rua, parecendo um bando de loucos.
E com muita fome, como sempre.
- Ei, vamos á minha casa, acho que sobrou uns cachorros-quentes de ontem... - Disse Alan, o mais novo de nós quatro.
- Acho uma ótima ideia, estou morrendo de fome - fiz uma careta - E você Brian?
- Pra já, comer é comigo mesmo - ele riu
- Lizy? - Falamos todos juntos
- Hum... acho que hoje não, estou muito cansada, e amanhã eu trabalho cedo - falou em meio a dengos.
Nós todos bufamos.
- Sempre nos deixando não é mesmo Lizy? - Falei, meio indignada.
É sempre assim, nunca fica até o final,  está sempre cansada... ás vezes nem parece que tem 18 anos.
- Me desculpa tá, mas eu tenho mais o que fazer da vida, não fico o dia todo em casa sendo sustentada pelos meus pais...
Silencio
Olho para ela com uma cara meio Serial Killer.
"BITCH"
- Tudo bem, vamos sem ela - Disseram Alan e Brian ao mesmo tempo, já prevendo mais uma de nossas brigas.
- Vamos mesmo. - Concordei, não querendo arrumar confusão com ela, afinal, somo amigas... não é mesmo?
Deixamos Lizy em casa, como de costume, e migramos rumo a casa de Alan, uma mansão daquelas de tirar o folego.
A rua estava deserta, e as luzes apagadas.
- Tem certeza que podemos entrar? - Perguntei.
- É claro, meus pais estão viajando, a casa é toda nossa hoje - Alan deu um sorrisinho perverso.
Entramos.
Um silencio absoluto.
Pude avistar a sala de estar, e logo após, a cozinha. Onde estariam nossos cachorros-quentes.
Meu estômago roncou, e todos rimos.
- Hey, vamos lá comer e depois jogar alguma coisa, sintam-se a vontade... Brian, você já conhece a casa - Alan piscou o olho.
- Jogar? - Perguntei
- Sim, Alan tem um Playstation - Disse Brian com um sorriso.
Eu adoro vídeo games... desde pequena.
Sentei-me no grande sofá, e Brian foi direto ligar o Playstation.
Viciados.
Bem, pra falar a verdade, eu também sou.
Alan estava na cozinha, pude vê-lo do sofá, parecendo meio perdido, como sempre.
- Precisa de ajuda? - Gritei
Ele me olhou rápido.
- Não, não, tudo bem, acho que consigo esquenta-los. - Disse rindo.
- Eu espero que sim - Brincou Brian.
- E então, acha que aguenta nos ver jogando moça? São jogos violentos... - Eles riram
- Então, com certeza não quero vê-los jogando - Falei com um sorrisinho sarcástico.
- Eu sabia - Brian sussurrou
- Quero jogar junto - Disse enquanto me levantava do sofá - E eu escolho


sábado, 21 de abril de 2012

4


Eu desejaria poder tirar isso
E salvar-te de você mesmo
Você se perdeu tanto dentro de sua cabeça como ninguém mais... (Foo Fighters)


Dear friend


Pude vê-lo sentado em um banco de madeira da praça central da cidade.
Sozinho, pensativo e parecendo muito triste...
Eu podia sentir que algo não estava bem, que tinha uma coisa muito errada acontecendo.
Sempre foi um cara alegre, de bem com a vida, cheio de sonhos, e com muito amor no coração.
Porque ele está se comportando desse jeito?
Não é a primeira vez que eu o vi assim.
Tudo começou quando uma mulher partiu seu coração, desde então nunca mais foi o mesmo.
Passava noites inteiras em bares tomando Jack Daniel's, fumando seu Marlboro, acabando-se pouco a pouco.
Será que você não vê o quanto era um cara incrível, pra se perder por ai, destruir-se desse jeito?
Eu só queria poder parar com isso tudo, faze-lo voltar a si, porque você está perdido dentro de si mesmo.
Mas o que eu poderia fazer?
Você não quer nenhuma ajuda, e isso está me matando por dentro.
Eu o vejo tirar alguma coisa do bolso, e meu coração por um momento para.
Ele levanta-se do banco e caminha em direção a mata escura.
Sinto um arrepio percorrer todo meu corpo, eu quero poder gritar, mas não consigo.
Estou paralisada.
Será que não há esperanças pra você? Tudo tem uma saída...
Sou despertada ao som de um tiro.
Sinto um embrulho no meu estomago, já imaginando que tenha acontecido o pior.
Mas não tenho coragem de ir até você, sei o que me espera...
O tempo passa e me sinto sufocada.
Porque você fez isso?
De repente vejo um vulto nas sombras, alguém que sai detrás das árvores.
Ele atira uma arma para longe, me olha nos olhos, seu rosto perturbado.
E então se vai, pelas ruas da cidade, como sempre faz.
E ali eu sei, que você não desistiu de tudo, que este ainda não é o seu fim...


sexta-feira, 20 de abril de 2012

3








Eu queria te contar o que estou sentindo
Eu poderia mentir para mim mesmo, mas é verdade
Não há dúvidas quando olho nos seus olhos... (Kiss)




Victoria - part 1



Estou deitado em minha cama velha e barulhenta, a chuva torrencial caindo do lado de fora me deixando propicio a uma onda de tédio. Meu livro surrado de sempre está ao meu lado, pedindo para ser lido pela vigésima vez. Um barulho chama a minha atenção, apesar da chuva forte. São passos de alguém subindo a escada, lentamente, passos leves e sincronizados, os quais vão ficando mais forte, mais próximos.
Alguém bate na porta.
Caminho até lá, com o coração acelerado, já sabendo quem irei encontrar do outro lado, quando abrir-la.
Um sorriso brota em meus lábios, sabendo que a verei novamente.
A porta abre com um leve rangido, e atrás dela, revela-se uma bela mulher, seus cabelos ondulados de cor castanho fogo, caindo como uma cascata sobre seus ombros.
A pele clara, macia, seu perfume de lavanda, os olhos azuis franjados por longos cílios, a sobrancelha perfeitamente desenhada , o nariz fino, os lábios voluptuosos...
Toda a nostalgia de dias de um passado que se foi, carregados de boas memorias e risadas.
Essa mulher está ali, escorada na parede encardida do cortiço onde moro, me encarando, tímida e ao mesmo tempo sedutora.
- Posso entrar? - pergunta, com um sorriso levemente malicioso.
Sorrio de volta, enquanto calculo quanto tempo fiquei olhando-a feito um bobo, admirando aquele corpo, as curvas perfeitas, tanta beleza e personalidade em uma única mulher.
- Você sempre pode - digo, gesticulando para que entre.
Ela caminha até a sala, enquanto tira seu sobretudo, molhado da chuva.
Fecho a porta, sem desviar os olhos de cima dela. 
"Victoria"
Sussurro seu nome em minha mente, um nome tão lindo, para um mulher igualmente bela.
- E então, seremos só nos dois hoje? - pergunta-me, arqueando uma das sobrancelhas.
Ela tira as botas agora, para se sentir mais confortável.
- Se você quiser... não pretendo dividi-la com mais ninguém. Como nos velhos tempos.
- Ótimo, faz tanto tempo que não nos vemos - ela sorri, animada como sempre foi.
- Muito tempo! Alias, arrisco dizer que os anos tem sido muito generosos para contigo.
Ela sorri timidamente.
- É mesmo? Em que sentido? - sorri divertida.
 - É... Digamos que você tenha ficado cada vez melhor -
"Como pode ter mudado tanto?" 
"Como é possível que ainda me deixe louco desse jeito?"
- Bom, engordei um pouquinho, achei que seria interessante colocar um pouco mais de carne nesse corpo, você sabe - ela pisca em minha direção.
- Claro, é algo válido se faz você se sentir melhor, mas isso não me ajuda a não querer você - Respondo, uma onde de desejos me invadindo, me deixando confuso.
- James... está tudo bem? - pergunta com a expressão séria.
Olho para seu olhos azuis, aqueles dos quais sempre fizeram-me perder em pensamentos.
"Na verdade não... eu quero você, agora"
- Sim, tudo bem. - respondo com um sorriso forçado, para disfarçar a vontade de te-la em meus braços.... - Café?
- Ah sim, aceito - diz Victoria, enquanto senta-se em meu sofá velho, com o rosto corando.



quinta-feira, 19 de abril de 2012

2



"Eu faria qualquer coisa por um sorriso, segurando você até nosso tempo acabar." (Avenged Sevenfold)



Reflexões


Como de costume, estava ouvindo meu bom e velho Rock n' Roll, no último volume, esperando o tempo passar.
Alias, é incrível como uma boa música pode te desligar do mundo, das coisas ao seu redor, te teletransportar para tantos lugares.
A música traduz nossos sentimentos, as letras dizem tudo o que estamos sentindo, o ritmo nos acalma, e nos sentimos tão bem...
Foi quando comecei a refletir, é sempre assim, começo a pensar em tudo, a questionar tudo, a sonhar, a planejar o futuro com coisas que nem aconteceram, e que talvez nunca cheguem a acontecer :~
Meu casamento... - era sobre isso que eu pensava naquele momento - casar (se chegar a casar) ao som de um bom rock, Pink Floyd - Wish you were here.
Parece perfeito, eu entrando na igreja, ele me esperando no altar, a música de fundo...  tão lindo.
Depois nós dois vivendo em uma casa, dormir e acordar todos os dias um ao lado do outro, ser a primeira a ver seu sorriso, estar sempre ali para o que der e vier.
Nossas tardes de domingo ouvindo músicas, jogando vídeo games, comendo brigadeiro de panela, assistindo filmes (quem sabe até um filme de terror, porque eu vou te-lo ali para me abraçar, se sentir medo), caminhar na avenida, tomar um sorvete, ficar cobertos juntinhos quando for bem frio.
Jantar em um restaurante aos sábados, levantar juntos de madrugada para comer um pedaço de torta, viajar, não importa aonde.
Compartilhar momentos, rir até não aguentar mais, ser afagada, mimada, amada, enfim, ser feliz.
Mas para que tudo isso aconteça, eu preciso encontrar um cara, um que me ame o suficiente para querer passar o resto da vida ao meu lado...
E talvez eu já o tenha encontrado... apenas não sabia disso.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

1


"Mas em meu coração, tenho sentimentos que nunca demonstrei" (Guns N Roses)


Remember me...



A noite está linda. A lua cheia iluminando o jardim e as estrelas enfeitando o céu escuro.
Está esfriando e a neblina havia chegado a algum tempo, enquanto nós dois nos embalávamos de um lado ao outro, nossos corpos entrelaçados perfeitamente ...
Eu havia deixado minha timidez de lado, era só eu e ele, ao som da nossa música.
Ele a sussurra em meu ouvido, a voz doce, o hálito fresco.
Ele me ama, e isso é tão perfeito, tão bom, que chego a sentir medo.
Medo de não ser real, medo de que acabe um dia, medo de perde-lo...
Sentimentos bobos? Talvez.
No fundo eu sei que ele nunca irá me deixar, que isso vai ser pra sempre, porque nascemos um para o outro, eu posso sentir isso com todas as minhas forças.
Lembro da primeira vez que nos conhecemos...
Agora estamos aqui, juntos, nos abraçando tão forte como se a vida de cada um depende-se disso.
E o aperto no peito continua mesmo depois de tanto tempo, por que eu o amo, amo tanto, que chega a doer, e é difícil de explicar esse sentimento, pois só quem ama sabe, só quem ama sente...