Sentados em um banco ao lado de fora da festa, Edgar e
Elizabeth permaneciam em silencio. O único barulho era o do vento, e do vinho
sendo servido nas taças de cristal. Haviam se retirado do salão sem esperar que
a música terminasse, e sem se importar com os olhares curiosos ao redor. Os pensamentos de ambos vagavam, e se perdiam
junto à noite fria.
- Eu não sei o que dizer...
- Então não diga nada, apenas aprecie o momento, aprecie
a brisa fria da noite batendo em seu rosto – Elizabeth falou, suspirando
baixinho sem saber o que dizer também.
- Prefiro apreciar a sua presença, não é sempre que tenho
a sorte de encontrar mulheres como você – Edgar disse sorrindo.
- Mulheres como eu? E o que teria eu de diferente das
outras? – ela ri.
- Tudo, outras no seu lugar não estariam aqui comigo,
sentada, bebendo vinho... – ele constata.
- Estariam na sua cama não é mesmo? – ela ri com
sarcasmo.
- Estariam – ele sorri.
- Estou comprometida Edgar – fala em tom sério.
- Isso nunca as impediu querida Elizabeth – sorriu
maliciosamente.
- Estou certa que sim – ela ri. - Meu noivo esta se
divertindo com sua amante neste exato momento - “e eu negando esse deus grego”
ela pensa.
- E o que a senhorita acha de uma vingança de igual para
igual?
- Não me deitarei com um homem por vingança... e além do
mais você está bêbado. Nós estamos bêbados! – ela diz, decidida de que não irá
se render aos encantos do Lord. – Estou certa de que cometeríamos um erro.
- Se preferir assim, sabe que não irei força-la a nada –
“não agora” – Mas me responda uma coisa, e se não estivesse comprometida? – ele
a pergunta, o olhar curioso enquanto enche mais uma taça.
- Não sou obrigada a responder Edgar – diz com o
sorriso sarcástico de sempre.
- Não é, mas também não negou – ele ri.
- O senhor me deixa extremamente confusa, e não duvido
que este seja o seu objetivo, então creio que é melhor pararmos por aqui – “continuar
a conversa não seria uma boa escolha” pensa.
- E pretende fazer o que? Fugir de mim para sempre? – ele
pergunta.
- Eu pretendo, pretendo fugir de tudo aquilo ao qual
possa me apegar.
- E você acha que poderia se apegar a mim Elizabeth? –
pergunta, insistindo para que o assunto não terminasse.
- E-eu, eu não sei... – sua voz tremendo um pouco, uma
reação não esperada nem por ela mesma - Preciso ir, está escuro demais aqui
fora, e bebi mais do que deveria então...
Suas palavras são silenciadas por um par de lábios
masculinos. Agora os dois estavam de pé.
E próximos. Muito próximos.
Confusa entre o desejo e a razão, Elizabeth esforça-se em
afastar o peito forte de Edgar com as mãos, mas ele cada vez os aproxima mais, fazendo
com que os lábios dela se abram em resposta aos seus.
- Apenas seja minha essa noite, Elizabeth.


















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