sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Pelos nossos poucos e tantos meses

Estava aqui deitada na cama, olhando você dormir ao meu lado. 
Admito, te enchi de beijinhos, e sim, alguns talvez tenham sido na tua boca. 
Não deu pra resistir, nunca dá. 
Talvez eu também não tenha resistido de te fazer um carinho, de sentir teu cheirinho de manhã.
Mas eu fui o mais discreta possível, eu não queria te acordar. Dá um aperto no coração te acordar e ver aquela tua carinha gostosa de "fica, não trabalha hoje não, só fica". 
E eu reluto milhares de vezes contra a vontade de jogar tudo para o alto e ficar ali, hoje, sempre. 
E como sempre meu lado egoísta fala mais alto, grita, esperneia pra te levar comigo pro trabalho, escondido dentro da minha bolsa. 
É engraçado como você mudou minha vida de cabeça pra baixo em tão pouco tempo. Eu arriscaria dizer que desde a primeira vez que realmente ficamos juntos. 
Eu era uma daquelas tantas pessoas com o coração carregado de decepções passadas, que só queria distância de relacionamentos. 
E então eu me encontrei em ti, de repente.
Certas coisas não se podem evitar, e nem devem ser evitadas (ainda bem, não?!).
Mas eu não reclamo do fato de você ter virado minha vida do avesso e feito uma bagunça gigante. Eu sou grata por isso. 
Acabei descobrindo, graças a você, que eu sempre quis que ela fosse assim, bagunçada, e que todos os meus relacionamentos passados estiveram me preparando pra isso tudo que a gente ta vivendo. 
Contigo eu to aprendendo tanta coisa que eu achei que já conhecia. Logo eu que me julgava a musa da sabedoria quando o assunto era amor.
E lá vem você me dar um tapa de realidade e me mostrar que na bem da verdade eu não sabia nem da metade. 
Mas posso dizer que tô aprendendo a cada dia, junto com você. 
E me desculpe todas as vezes em que eu não paro de tentar te mostrar o quanto eu te amo, mas se tem uma coisa que aprendi nesses últimos meses, é que amor não é silêncio. Pelo menos não o nosso.
As vezes eu acho que tudo isso vai explodir dentro de mim, por não me sentir capaz de carregar sozinha. 
Não dá pra simplesmente guardar dentro de mim, por mais que o meu medo de sufoca-lo sempre apareça, lá no fundinho. 
Eu acho que nunca, nada que eu faça ou diga, vai ser o suficiente pra dar vazão a todos os sentimentos que você me desperta. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Amores sem razão de ser.

É difícil escrever sobre você, ao mesmo tempo que é simples poetiza-lo. É difícil porque palavas nunca são suficientes. Eu penso em todas as coisas que eu amo em você, e não consigo numera-las, não consigo organiza-las em um texto. Não sei dizer se isso me frustra, ou se me deixa feliz, o fato de não existirem palavras pra ti, ou pra nós. Mas eu sempre me esforço, vale a pena ter esse gostinho de relembrar todos os detalhes sobre você e transformar em míseras palavras que nunca chegarão aos pés do sentimento que é estar com você. Gosto de como a gente aconteceu, de como a gente continua acontecendo. Gosto de todas as pequenas e grandes alegrias que você proporciona na minha vida, gosto de como você me trasborda e faz do meu mundo um lugar melhor, dos sentimentos novos que me desperta, dos desafios que, por vezes inconscientemente, você me proporciona. Gosto dos coloridos que você coloca nos meus até então resistentes buracos "preto e branco". Gosto de como a vida é leve ao teu lado, é simples, sem rótulos, sem exigências, sem limitações, gosto de como tudo é natural, espontâneo. Gosto do nosso amor. Dos nossos beijinhos estalados que nunca cansam, das conchinhas até pegar no sono, e das conchinhas na hora de acordar. Tudo ao teu lado fica melhor, não importa o que seja. Eu já não consigo me lembrar de como era a vida antes de você meu bem, porque nós temos nos dado tão bem desde o começo que as vezes é como se nunca estivéssemos ficado separados. Eu espero ser capaz de ser pra ti tanto quanto você é pra mim, mas mesmo se não for, saibas que sou grata, que agradeço ao universo todos os dias pela chance de colocar um sorriso no teu rosto, porque nada no mundo faz meus olhos brilharem mais. Obrigada por existir, por existir na minha vida, e que isso dure o tempo que tiver que durar, e que a gente nunca se renda as rotinas de desamores. Que você seja feliz, sempre, e se não for pedir muito, que eu seja parte dessa tua felicidade, que eu desejo que seja imensa e infinita. E lembre-se que sempre que você precisar de mim, eu vou estar aqui pra ti.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Monólogos sobre você.

Você é o meu melhor programa. É incrível como passar uma tarde inteira de domingo deitada ao teu lado é o suficiente pra me sentir em um dos melhores dias da minha vida. Bem, não só no domingo. O prazer de olhar pro lado e te ver sem camisa tragando um cigarro, mesmo detestando saber o que ele vai fazer com o teu corpo. Alias, eu costumava odiar o cheiro, mas não quando ele está em você. Aquela mistura de Marlboro com Quasar que faz cada parte do meu corpo desejar colocar meu rosto perto da tua nuca e inalar teu cheiro até o dia acabar, até não sobrar mais nada, até te gravar em mim. E o gosto? Como pode essa mistura de fumaça cancerígena e café ser tão gostosa? Mas é claro, não importa o quão ruim algo possa ser, tudo em ti é bom. Qual o teu segredo? O que são essas coisas todas que você me provoca? Todos os calafrios originados da tua boca percorrendo o meu corpo, do toque da tua mão, dos teus abraços, do teu corpo quentinho junto ao meu, da tua risada e do teu sorriso. Eu sinto cada parte do meu corpo vibrar em resposta. Ele sempre vibra. E me desculpe por todas as vezes que te persegui como uma louca beirando ao desespero, mas meu bem, se tu soubesses como é difícil me manter afastada dos teus lábios, como anseio olhar em teus olhos e bagunçar os teus cabelos... Eu poderia citar todas as mil milhões de milhares de razões pelas quais eu te quero, poderia lista-las em ordem crescente de batimentos cardíacos, ou poderia citar cada uma ao pé do teu ouvido, na calada da noite. Mas por hora, quero que saiba que não importa aonde isso tudo vai me levar, aonde vai nos levar, eu quero viver cada segundo, e me permitir como nunca antes. Qual o tipo de droga que teu corpo produz? Deus me ajude a nunca encontrar uma cura.

Porque você é o meu melhor programa.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre as várias felicidades.

Certa vez me pediram o que é a felicidade.
É complexo, é simples, é ambíguo, é puro, é pessoal. Eu resolvi parar pra pensar.
Felicidade é abraço apertado, é lua cheia na calada da noite, é por do sol, é o movimento dos teus lábios ante aos meus, é a água correndo através das pedras, é os pássaros cantando, é banho de chuva, é beijo acalorado, é carinho, é comida no prato, é café quentinho, é lambida de cachorro, é o ronronar do gato, é arco-íris, é céu estrelado, é filme em baixo das cobertas, é coração batendo forte, é corpo tremulo, é teu sorriso, é amor, é mãos entrelaçadas, é o calor do teu corpo, é o teu cheiro, é a nossa roupa amassada, é sentar na grama, é se sujar de lama, é pés descalços, é caminhada, é conversa, é sonho realizado, é jogo de sinuca, é a tua voz, é teus dedos dedilhando as cordas do violão, é teus olhos castanhos, é o som da tua risada, é teus cabelos, é a troca de olhares, é beijo na testa, é carregar no colo, é correr, é sair sem rumo, é viajar, é conhecer novos lugares, é conhecer novas pessoas, é surpresa, é praia, é o som do mar, é o barulho da chuva, é partida de vídeo game, é música nova, é natureza, é o som do vento, é a sombra da árvore, é amizade, é dança, é festa, é ano novo, é mensagem recebida, é o formato das nuvens, é o azul do céu, é sentimento, é encher os pulmões de ar puro, é meditar, é ler, é escrever, é assistir, é recitar, é flor brotando, é fotografia, é perfume, é a tua cara amassada de manhã, é chá das 5, é chocolate, é casa na mata, é a primavera, é jantar a luz de velas, é batom vermelho, é encontro de almas.

É você. Eu. É o mundo todo.
Se for tudo junto, bem, acho que nem cabe em mim.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O que você quer ser?

Já ouvi diversas vezes, e de diferentes pessoas, que devemos seguir a nossa mente, e não o nosso coração.
Eu nunca entendi muito bem como isso funciona.
Eu já segui minha mente algumas vezes, é claro, e foram os meus maiores erros.
Costumam dizer que o coração é enganoso, que o coração nos cega. Mas a verdade é que a mente nos mente.
O nosso coração é puro e verdadeiro, ele sempre sabe o que nos faz feliz, o que nos faz vibrar.
Nossa mente é pratica, lógica, procura sempre o que é mais seguro, mais garantido, o famoso bom senso, nossa mente nos enlouquece antes mesmo de tentarmos.. Ela jamais nos permitirá tentar o que realmente ansiamos, ela jamais vai nos permitir ouvir o coração, pois a mente nos provoca o medo, e por consequência, morremos infelizes com os famosos e torturantes "E se...".
Se você é assim, me desculpe, mas prefiro me deixar levar.
O coração nos faz quebrar a cara, sim, eu sei, mas é um quebrar a cara gostoso, porque por mais errado que algo possa dar, nunca vai ser realmente errado, e nos ao menos tentamos. E é bom tentar. A gente aprende tanta coisa, a gente cresce, amadurece, vive, e não apenas sobrevive miseravelmente.
O nosso coração sabe pulsar pro que é certo. Ele está nos dando as respostas o tempo todo. Mas pra conseguirmos ouvi-lo, precisamos silenciar a mente.
Ouvir o nosso coração é a decisão mais racional que existe. Simplesmente salte com ele. E quando seu coração bater desesperadamente, saiba que foi a sua melhor decisão.

E você? O que você quer ser? Mente ou coração?

Eu faço-me bastar

Aqui estou, acordando mais uma vez sem você ao meu lado.
Tudo parece deserto, sem vida. Seu nome está escrito por todos os lados, e me sinto cercada pela sua ausência. Ouço vozes ecoando pelos cantos desabitados, os sons familiares das nossas risadas que outrora foram acaloradas.
Quando foi que desistimos de nós?
Eu encaro o espelho, eu tiro a roupa.
As lembranças do teu toque estão em cada misero poro do meu corpo.
Eu pego uma cerveja, e eu bebo na esperança de virarmos um só. Ela tem o teu gosto.
Ela me lembra o teu sabor, em uma sexta-feira a noite qualquer, em um jogo de sinuca.
Eu acendo um cigarro, daqueles vagabundos que você fumava quando estava nervoso. Eu acendo na esperança de ser invadida pela lembrança do teu cheiro.
Mas teu cheiro era único, meu amor, um cheiro que cigarro algum era capaz de camuflar.
Eu me viro para o espelho novamente, nua, bêbada, e com um cigarro queimando entre os dedos.
A visão é deprimente, decadente.
Quando foi que eu desisti de mim?
Eu apago o cigarro e o jogo pela janela, eu estou dando adeus.
Eu vou até o banheiro e vomito, não apenas o álcool, mas igualmente você.
Eu tomo um banho, eu me visto, faço a minha maquiagem preferida, aquela carregada de batom vermelho. Eu me encaro no espelho novamente.
Ali, diante de mim, está alguém que vale a pena.

sábado, 26 de setembro de 2015

Sobre os inevitáveis.

É difícil manter os pés no chão quando a mente voa. É difícil aceitar a realidade, quando nossos sonhos são simples e puros.
Hoje escrevo desejando com todas as minhas forças que tudo fosse diferente, escrevo na esperança de me manter sobre o controle da vida, da minha vida, de não me afundar naquelas ondas de tristezas que quando se iniciam, parecem nunca ter fim. Eu já estive no famoso e traumático "fundo do poço", e se você, assim como eu, involuntariamente já o visitou algum dia, sabe o quanto devemos correr para o mais longe possível desse fatídico momento.
Eu odeio chorar, alias, quem em sã consciência poderia gostar?
Mas não importa o quando você odeie algo, isso não o impede de acontecer. E você chora, você sente cada maldita lágrima percorrer as curvas do teu rosto.
Você pensa em desistir. Uma, Duas, Três vezes. Você tenta se levantar, mas sempre existe uma força te puxando para junto da correnteza. Você queria poder enfrenta-lá, nadar contra essa força, mas você está se sentindo esgotado, sem forças.
Você não é o único.
Eu não sou a única.
E então eu me concentro naquele lugar que é só meu, meu lugar de paz. Meu cantinho chuvoso, de grama macia, carregado de amores e esperanças.
Aliás, meu amor, se você estiver lendo esse texto, não se preocupe comigo.
Pessoas são momentos. Você sabe disso melhor do que ninguém.
Mas se quiser fazer algo pra me ver melhor, recomendo rodadas de abraços e infinitas doses do teu sorriso largo e divertido. Talvez uma pitada de olhares reconfortantes acompanhados de doces palavras.
Ah... É incrível como a tua existência é capaz de mudar meu dia.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Your skin.

Lá estava eu, sentada no seu sofá de couro marrom e velho, cansada depois de mais um evento entediante.
E é claro, minha mente não afastava o pensamento de que você havia me encarado de um jeito diferente hoje.
Seus passos lentos me despertam dos devaneios, vejo-o vindo em minha direção com dois copos de Whisky, seu pensamento parece estar tão longe quanto o meu.
Você larga o meu copo na mesa e senta-se ao meu lado, relaxado enquanto bebe, e é quase impossível não disseca-lo com os olhos. Me alimento de você a distância, de forma segura, de uma forma saudável para a nossa amizade que tanto prezo em manter.
Você fecha os olhos e massageia a têmpora. Eu ganho mais tempo para observa-lo sem ser descoberta. Você tira uma carteira de cigarros do bolso e me oferece, me encarando daquele jeito diferente, desconhecido por mim até então.
O que seus olhos estão tentando me dizer? O que suas máscaras prezam por esconder de mim?
Eu recuso o cigarro, enquanto pego meu Whisky. Você continua a me encarar, os olhos fixos, enquanto tomo um generoso gole do elixir dos corações amargurados.
- Seus amigos vão demorar a voltar? - Pergunto na esperança de quebrar o momento de desconforto.
- Eles não virão hoje.
Tomo mais um longo gole, e o observo fumar com maestria.
Você larga o copo de Whisky na mesa e pega o meu em seguida, fazendo o mesmo. Você continua a me observar, seus olhos estudam os meus, você traga o cigarro. Não consigo evitar de olhar tua boca. Não consigo evitar o ato espontâneo de morder meus lábios em resposta, imaginando o sabor que tu tens, querendo ser tragada pra dentro de ti, pra dentro do teu ser.
Você me responde da melhor forma, colocando uma das mãos na minha nuca e me puxando para perto daquilo que anseio, teu par de lábios molhados pela mesma urgência que a minha.
Nosso beijo vem feroz, urgente, exalando o desejo reprimido. Eu o agarro em resposta, e não consigo pensar em nada que não seja teu corpo sobre o meu, os nossos movimentos rítmicos.
Você me leva até a parede mais próxima, me prendendo contra o teu corpo. Você me beija com mais urgência, beija cada parte do meu ser, cada parte do meu corpo. Nossas roupas vão se dizimando como em um truque de mágica, dando vazão para o nosso desejo.
Eu me permiti a ti.
Nós nos permitimos.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sobre pequenos (e gostosos) sentimentos.

Te quero. Ás vezes.
É engraçado pensar nisso, querer você, logo você.
É um querer estranho, gostoso, diferente. Não é como uma necessidade, nem perto disso. Mas é bom querer. É bom estar.
Em que momento isso mudou? O jeito que eu vejo você...
Tenho me feito essa pergunta ultimamente, mas é tudo meio nublado aqui, na minha mente.
Lembro de estarmos em uma festa, em um dia qualquer. Eu dançava como sempre faço, feliz, livre, sem inibições ou vergonha. Do meu jeito torto, errado, engraçado e nada sexy, mas ainda assim meu. Você, como sempre, parado em algum canto, observando enquanto todo mundo se divertia. E então você se permitiu dançar, por um breve momento, e graças a alguns shots de Vodka, é claro.
É engraçado como a vida funciona. Você convive com uma pessoa por tantos anos, e ela nunca lhe desperta nada, não lhe chama a atenção. E então, do nada, você recebe um belo "BUM", e lá está você, olhando pra pessoa e achando aquilo tudo incrível.
É a mesma pessoa, o mesmo corpo, as mesmas manias, mas você vê algo de novo, algo bom. É como se aquela pessoa, por um breve momento, derrubasse todas as barreias, todas as máscaras que ela preza tanto por manter.
Você sorri como a bela idiota encantada de sempre. Vocês dançam juntos. Não é nada romântico, muito menos sincronizado, mas é divertido, é gostoso.
É tudo muito novo, mas ao mesmo tempo tão "velho". E então a gente se encontra de novo, em meio a mais rodadas infinitas de bebidas, e tudo acontece, de um jeito estranho, engraçado, bom.
Gosto quando as coisas são assim, naturais, sem planejar, sem forçar de nem um dos dois lados. Gosto quando as coisas simplesmente acontecem, simplesmente "são".
É tão mágico, esse tal de mundo das relações. É incrível as coisas que despertam em você mesma, o jeito que você passa a levar a vida, os novos coloridos do mundo.
Ainda não sei o que eu sinto, como me sinto, mas sinto, e é bom sentir. Então pra que querer rotular algo que eu posso simplesmente viver?
Porque essa é uma das melhores sensações da vida, querer ver o outro bem, feliz, não importa como, ou com quem. E é assim que eu quero ver você, é assim que eu sempre vou querer ver.


terça-feira, 16 de junho de 2015

Say Something

Hey, a gente precisa conversar... tem um tempo pra mim?
Eu sei que faz muito tempo, mas certas coisas não se apagam da nossa mente, da minha mente.
O jeito que você me colocou entre seu corpo e a parede, enquanto eu preparava aquele brigadeiro que você tanto me pediu. O que foi aquilo? Eu poderia ter queimado o doce que comeríamos durante nossa sessão de filmes, grudados um ao outro em baixo das cobertas. Você me levantou um pouco, até que eu conseguisse colocar minhas pernas envolta do teu quadril, e como eu esperava, você me apertou ainda mais contra a parede, e me beijou com urgência. Eu sabia aonde aquilo tudo ia dar, onde sempre acabava, mas naquele dia, eu só queria preparar a droga do brigadeiro. Não porque eu quisesse o brigadeiro, ou que ele fosse mais importante que você e eu, mas naquele momento, o brigadeiro era a desculpa perfeita pra me desprender dos teus laços carnais. Eu sorri, tímida, tentando disfarçar o desconforto que senti tendo que rejeitá-lo, você me olhou preocupado, eu me desprendi da tua cintura, mas tu apertou mais forte meu peito contra o teu, me olhando nos olhos, tentando captar qualquer resposta.
"O brigadeiro... vai queimar."
Você me soltou, ainda me estudando, e eu me virei para o brigadeiro novamente, ele já estava quase pronto. Eu sabia que você jamais me soltaria por um motivo desses, bom, nem eu me permitiria estar preocupada com isso. Mas as coisas mudam. Eu estava mudando. Você havia percebido isso tanto quanto eu, não fosse isso teria relutado como fez tantas outras vezes, naquela mesma parede, onde me rendi a ti de todas as formas que pude. O que havia mudado em mim? Eu estava cansada das perguntas, estava cansada das minhas dúvidas. É tudo tão exaustivo na minha vida, meus sentimentos, minhas buscas.
A verdade é que eu estava cansada de relacionamentos vazios como o nosso, pessoas vazias como você, algo que eu demorei pra entender. Nossos laços carnais eram fortes, intensos, mas e os laços sentimentais? É óbvio que eu os tive por algum tempo e de muitas formas, mas um dia cansa, essa coisa toda de estar com alguém que não te preenche. Eu sabia que você me desejava, mas me amar... bom, acho que nunca vou saber a resposta. Então porque eu continuava ali, com você? Porque a gente continuava junto, fingindo algo que não existia? A resposta era simples: Era cômodo, conveniente. Você não me completava, não me transbordava, muito menos despertava o melhor de mim, mas eu estava cansada de esperar e procurar.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ela ama você, no silêncio dos pequenos gestos e olhares.

Ela não sabe se vai ou se fica, mas continua escrevendo textos sobre você. Sobre aquele seu sorriso largo e divertido, e seus olhos tão cheios de sonhos, olhos que buscam o amor, assim como ela. Ela percebe o peso que há dentro de você, ela te entende como ninguém, pode ter certeza disso. Duas almas machucadas, indecisas, que buscam as mais plenas formas do amor, mas que nunca se fundem, nunca se permitem, nunca se encontram.
Ela continua arrancando suas próprias tripas e vísceras pra tirar tudo o que há sobre você de dentro dela, mas parece nunca ser o suficiente. Talvez ela só seja uma garota indecisa, uma garota que não aguenta carregar tanto amor dentro de si mesma, e que nunca encontra o cara certo pra despejar... e se encontra, ele foge, com medo, assustado, pois nunca havia sido amado daquela forma antes.
Ela vai te olhar com calma, saboreando a distancia todo o teu ser, e depois vai desviar o olhar. Ela vai sorrir e segurar suas mãos na primeira oportunidade, ela quer sentir você. Quem sabe, se ela tiver a chance, ela te chame pra dançar com os pés descalços, em um ritmo de blues sobre a luz da lua cheia que ela tanto ama.
Por mais que ela goste do jogo da conquista, os múltiplos amores a enjoam. O que ela busca é um ninho, um lugar para chamar de seu, um pequeno refúgio dentro de um ser capaz de ama-la tanto quanto ela é capaz de amar. Se for você, ela não precisa de mais nada no mundo, ela para, pois não há nada lá fora que ela queira buscar, ela se completa, ela vive leve.
Não precisa chegar muito perto para ouvir o tic toc constante dentro dela, a bomba sentimental que pode explodir a qualquer momento. Ela coloca uma playlist para tocar e olha para o nada, e por dentro ela chora, mas só por dentro, ela não quer desandar de novo, borrar aquela maquiagem que tanto insiste em usar pra se sentir melhor, de alguma forma. Porque amar os outros dói, é gostoso, é único, mas dói.
Como se preenche o vazio de alguém que nunca se teve? É irônico, não?
Mas ela vai aos poucos substituindo por um pouco de inutilidade aqui e ali, uma parcela de pessoas vazias que não lhe dizem nada, e muito menos despertam o melhor dela.

E você não vai entender nada. Tem coisas que só uma libriana é capaz de entender.