quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Lady of peace - part 5



O ódio estava estampado na face de Elizabeth. Seus olhos começavam a formar indícios de lágrimas, mas ela era forte e orgulhosa, jamais permitiria que elas caíssem.
Ela estava sendo obrigada a dançar com um homem desconhecido, do qual suas intenções estavam impressas na testa, sendo ela uma jovem comprometida?
E no fundo, sabia que Louis iria procurar alguém para se divertir, alguém como a sua... amante. Sim, ela sabia que Louis tinha uma amante, a Lady Katherine Les Paul, uma morena de beleza exuberante, mais velha do que ela, mais experiente.  
Ela não era ingênua, por mais nova que fosse, no auge dos seus 18 anos de idade, sabia como as coisas funcionavam.
E na sua frente estava o cara mais lindo que já conhecera, forte, sedutor, viril, extremamente atraente, e que fez seu corpo pulsar ao menor sinal de aproximação.
Mas Elizabeth precisaria manter as aparências e fingir desinteresse, pois se ele percebesse algo, ela sabia muito bem onde iriam parar.
Edgar percebera a confusão que se passava na mente de Elizabeth, percebera a sua aflição e desconforto por estar ali, e isso o intrigou.
Nunca uma mulher se sentira assim na sua presença. Elas sempre se jogavam, se ofereciam, sem ele ter que fazer esforço algum, apenas dar uns sorrisos, piscar o olho algumas vezes... e pronto, elas já estava em seus braços.
Mas Elizabeth não era como as outras, e ele estava prestes a descobrir isso.
- A próxima música já irá começar Elizabeth, e está me devendo uma dança – ele sorri gentilmente, mudando sua tática.
- Tenho ouvidos Edgar, sei que a próxima música vai começar – ela diz em meio a uma careta – vamos logo com isso, não quero que dure mais do que o necessário.
Edgar a pegou pela mão, levando-a até o centro do salão. Ao chegarem, beijou a mão de Elizabeth com cortesia, e a colocou sobre seu ombro, enquanto uma de suas mão a segurava pelo quadril, diminuindo a distância.
- Sabe dançar? - Edgar perguntou divertido.
- É claro que sei dançar, sou uma Lady – responde irritada.
- Oh! Uma Lady! - ele ri - Então me responda por favor, porque estás tão tensa? Não irei morde-la – “Não agora” sussurra a mente de Edgar.

“Será que ele não sabe que estamos próximos demais? Ah, é claro que ele sabe”
Elizabeth estava lutando contra si mesma, e contra o calor provocado por aquele corpo a sua frente. Ela sentiu seu rosto corar e pensou em se afastar, mas não faria isso.
Ela levantou o rosto para Edgar e olhou em seus olhos, sorrindo, e então segurou firme em sua mão e esperou que a melodia começasse.
Edgar se sentiu atordoado por longos segundos.
Era a primeira vez que conseguia olhar em seus olhos, e viu muito mais do que queria.
Como se aqueles olhos transmitissem todas as angustias da sua alma.
Sem pensar, ele a soltou de repente, seus braços caindo ao lado do corpo, como se tivesse sido hipnotizado.
- Está tudo bem Edgar? Acha que consegue dançar também – ela brinca, tentando aliviar o clima embaraçoso que havia se formado entre eles.
Edgar sentiu seu coração bater mais forte quando ouviu seu nome ser pronunciado por aqueles lábios, enquanto analisava os olhos azuis.
- Não sei, não sei de mais nada... – ele respondeu

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Lady of peace - part 4



Desde o dia em que a vira pela primeira vez, em um de seus luxuosos bailes de mascaras, usando um vestido branco, os cabelos presos em um penteado perfeito, a pele de porcelana e o corpo extremamente desejável, Edgar sabia que precisava tê-la em sua cama à noite, nua e ao lado de lençóis amarrotados.
Como um bom anfitrião ele se dirigiu até ela, da qual desconhecia por completo, mas disposto a saber muito mais do que o nome.
Ela o encarava enquanto via-o se aproximar a passos lentos e decididos, o olhar dela era sério, sem transpassar nenhuma emoção.
- Uma bela noite, não achas? – Edgar perguntou com um sorriso maroto nos lábios.
- Uma bela noite, sim – Ela sorri, sem demonstrar o menor interesse.
- Está gostando do baile? – Edgar pergunta novamente, decidido a conquista-la o suficiente para tê-la em seus braços por uma noite.
- O senhor que mesmo saber? Pois bem, entediante como todos os bailes da alta sociedade – responde a jovem com um sorriso falso.
- Entediante? – Edgar ri com gosto – E o que achas de me acompanhar em uma dança? Posso fazer a noite ficar mais... agradável – ele diz com um sorriso malicioso em seus lábios.
- Agradável? – ela ri - Estou acompanhada, e mesmo que não estivesse não lhe daria tamanha honra – a expressão da jovem tornando-se divertida.
- Acompanhada? – Edgar olhou ao redor, procurando por alguém que nem ao menos sabia como era – Minhas desculpas senhorita, poderia eu saber quem recebeu tamanha honra? – sorri, resolvendo que entraria no seu jogo.
- Meu noivo o Lord Louis Fielding, aquele que está sentado próximo à área de fumantes. – disse ela gesticulando para o lado esquerdo ao qual se encontravam.
Edgar dirigiu seu olhar para onde se encontrava um homem de estatura baixa, cabelos loiros e aparência cansada, perguntando-se qual o problema com ela para estar noiva de uma fraude da sociedade.
Afinal ele o conhecia muito bem, Lord Louis era um de seus seguidores, mas não poderia dizer que um seguidor fiel, pois nunca foi.
- Chame-o para juntar-se a nós e... desculpe-me, esqueci de perguntar o seu nome senhorita.
- Lady Elizabeth Thomson – respondeu, enquanto ia ao encontro de seu noivo.
Edgar a observava, sem ao menos tentar disfarçar seu iminente interesse, ela tinha passos leves que lembravam anjos, uma postura ereta, e um brilho tão natural, que ofuscava até mesmo o salão mais luxuoso da corte. Ele viu-a se aproximar do noivo, sussurrar algumas palavras em seu ouvido, e logo em seguida puxa-lo para que se juntasse ao outro lado, enquanto pensava consigo mesmo se seria um problema para ele virar amante por uma noite.
- Edgar! – Louis gritou, antes mesmo de chegar – Há quanto tempo meu Senhor!
Edgar sorri em resposta, um sorriso falso, enquanto observava a surpresa nos olhos de Elizabeth.
- É uma honra ser chamado até aqui, no que posso servi-lo? – Louis pergunta, sorrindo com sinceridade.
- Gostaria de dançar com essa bela moça de nome Elizabeth Thomson, a qual se auto intitula sua noiva. – ele sorri, observando Elizabeth corar.
- Mas o que está esperando meu Senhor, fique a vontade – Louis diz, enquanto entrega a mão de Elizabeth a Edgar, o sorriso não tão sincero em seus lábios agora.
- N-não! C-como ousa me entregar a outro homem!? – Elizabeth estava furiosa e envergonhada, e o divertimento de Edgar só aumentava.
- É só uma dança querida, além do mais esse é o Lord Edgar Linton, o dono do salão e o homem que promoveu este baile. Apenas divirta-se – Louis sorri para sua noiva e a beija na testa, deixando-a para trás com o Lord mais cobiçado e desejado de todos os tempos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Lady of peace - part 3



Cansado e nervoso, Edgar retirou-se do salão, encerrando mais um dia fatídico de acordos de poder.
Com passos rápidos e decididos caminha em direção aos seus aposentos, esperando encontrar o seu copo de Xerez no lugar de sempre. Uma rotina da qual não se cansa.
‘Sentar-se na poltrona com o copo na mão, as janelas abertas permitindo a entrada de uma brisa fresca, e por fim, fechar os olhos e descansar a mente...’
Era nisso que seus pensamentos fixavam-se no momento, enquanto percorria os grandes corredores.
Sua amante deveria estar no lugar de sempre: ao redor do lago, em baixo da sombra de uma bela arvore acompanhada de alguma servente para que pudesse ser abanada, enquanto degustava de algumas frutas saborosas e...

“- Eu preciso de um pouco mais de atenção, sinto-me esquecida por ele, sempre envolvido em assuntos de negócios, há muito tempo não sei o que é passar o dia com o meu Senhor, a sós”
“- Minha Senhora, se me permite perguntar, ele não a procura mais, durante a noite?”  
“- Sim Piccolo, ele ainda me procura a noite, mas eu preciso de um pouco mais do que um contato carnal... sinto falta da época em que corríamos pelos gramados, nos molhávamos no riacho, sinto falta das coisas simples.”
“- A Senhora chegou a conversar com ele sobre isso?”
“- De forma alguma! Não quero incomodá-lo, muito menos chatea-lo com minhas vontades tolas.”

Edgar havia parado, suas costas estavam escoradas na parede rochosa, enquanto forçava-se a escutar a conversa vinda de não muito longe dali.
Seus pensamentos vagavam entre passado e presente, enquanto ouvia Elizabeth desabafar com Piccolo, um dos serventes mais próximos a ela.
Sempre foi uma mulher sem preconceitos, de gostos simples, algo do qual admirava.
Edgar sentiu o coração apertar enquanto sua mente era invadida por lembranças.
Muitas coisas haviam mudado desde que assumiu o seu posto. Uma delas era sua vida com Elizabeth.
Agora eram mais maduros, rodeados de compromissos, e a frequência com a qual ficavam a sós era cada vez menor.
A verdade é que também sentia falta de tudo que vivera um dia.
Em seus tempos de liberdade, cometera muitas insanidades, vivendo intensamente cada momento.
Um libertino nato, acostumado a conquistar todas as mulheres que desejou, e eis que do dia para a noite, se vê enredado pela resistência de Elizabeth.
‘Uma jovem rica, de gostos simples, e perturbadoramente linda.’
Era assim que a descrevia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lady of peace - part 2


Caminhando pelos vastos corredores, entre construções monumentais e pequenas flores amarelas, Elizabeth Thomson refletia sobre sua vida até esse momento.
Nascida em uma família de nobres, criada e educada em meio aos luxos da corte, nunca soubera como era a realidade dos pobres.
Seu único conhecimento sobre o assunto era baseado no que seus servos lhe contavam, entre um banho e outro.  Muitos desses servos nascidos no Vilarejo de Misfit, vilarejo ao qual Edgar atacara durante a madrugada.
Elizabeth sentiu um aperto no peito, seu Senhor acabara de destruir, não só mais um vilarejo, mas também famílias, histórias, sonhos. Isso tudo a perturbava.
Nunca aprovara tais atitudes, mas sabia que a luta pelo poder não pode ser evitada.  
Ela é necessária.
Seu único desejo era que todos pudessem viver em perfeita paz, sem sangue derramado.
Mas como? Ela temia nunca encontrar a resposta.
- Uma bela pintura, não achas Senhorita? – A voz de um dos servos interrompe seus pensamentos, quebrando o silencio.
Ela olha em direção a voz, percebendo que estivera parada há bastante tempo ao lado de uma pintura de Edgar, feita por Pierre-Auguste Renoir.
- Uma bela pintura, sem dúvida – ela respondera, um pequeno sorriso formando-se em seus lábios.
E o aperto no peito se misturou com o calor que sentia toda vez que o olhava.
De estatura alta, cabelos pretos e desarrumados, corpo forte transpassando toda a sua virilidade, um rosto magro, composto por belos olhos castanhos, um sorriso extremamente sedutor e ao mesmo tempo sarcástico, capaz de derreter até o mais frio dos corações, Edgar Linton era o homem mais poderoso que já existiu, mesmo com seus 35 anos de idade, fizera muito mais do que homens que estiveram por muitos anos no poder. Ele era sábio, inteligente, estrategista, sem sombra de dúvidas um Lord invejável e cobiçado.
Sempre cercado de belas mulheres e homens de negócios, nunca perdera uma oportunidade sequer. 
Porém o que poucos sabem, é que atrás de toda essa capa de gloria, poder e riqueza, existe um homem comum, que anseia pelas coisas simples da vida.

---

Ainda reunidos no salão, os membros da corte buscavam respostas, respostas rápidas e vantajosas. Eles queriam poder, glória, riquezas. A eterna busca por uma vida fútil, onde o único objetivo é ser o melhor, o melhor em tudo. Esquecendo-se que o mais importante é enriquecer o espírito.
Homens formados por um exército de desejos e vontades. Perdendo-se em um mar de caprichos e reivindicações.
Edgar tornou a sentar-se no trono, agora mais calmo e decidido.
Iria atacar o Vilarejo de Angra, lugar onde muitos se refugiaram durante a madrugada.  Seus homens estavam planejando o ataque cuidadosamente, à ordem era atacar de surpresa durante a noite, tudo deveria ser meticulosamente preparado, um erro se quer traria sérias consequências.
- Meu Senhor, não acha que está indo longe demais com a vingança? – Interrogou Victor, preocupado.
- Não deixarei pedra sobre pedra! – A face de Edgar se enrijeceu, tornando-se dura e fria novamente. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Lady of peace - part 1


- Leram o informativo de hoje? Parece que temos boas noticias... – Edgar balbuciou aquilo com uma ironia incontida na voz, o sorriso sarcástico brotando em sua boca, suas feições duras, acompanhadas de sua risada diabólica ecoando através do grande salão.
Todos os membros presentes se arrepiaram, como sempre fazem ante a sua presença.
 - Meu Senhor... parece que finalmente conseguimos destruir aquele vilarejo. - Um dos conselheiros interviu, de forma sutil.
- Não só o vilarejo Victor, mas também toda aquela região – O sorriso de Edgar alarga-se cada vez mais, tomando sua forma sombria.
- É uma lástima que as crianças tenham pagado por isso, elas nem eram nascidas quando tudo aconteceu.
- Lástima?! Aqueles bastardos mereceram cada punição imposta a eles, seus pais ousaram nos desafiar um dia, e pagaram o preço. Aquele sangue imundo corria nas veias delas também! – Edgar levantou-se do trono em um pulo, as veias dilatando-se por todo a extensão de seu corpo.
- Acalme-se, meu Senhor, alterar-se agora só irá nos trazer complicações – Sussurrou sua amante Elizabeth ao pé do ouvido.
Edgar abruptamente a olhou, seus olhos tão penetrantes nos dela que era quase como se lhe enxerga-se a alma.
Ali ao seu lado estava a mais bela mulher que já conhecera, de cabelos ruivos, pele clara e macia, olhos azuis, o nariz fino, lábios avermelhados e voluptuosos, um corpo extremamente desejável, ele só conseguia pensar em como ela era uma boneca de porcelana esculpida pelos deuses. A combinação perfeita de fragilidade e sedução.
Sem pensar, Edgar a puxou de encontro a si, seu peito de aço moldando-se com o corpo delicado e feminino de sua amante, suas mãos percorrendo-a com urgência, seus lábios indo de encontro aos dela, o desejo percorrendo por todas as partes, de forma quase incontrolável.
- Edgar... querido, estamos no meio de um salão, não creio que seja uma boa hora para isso – Elizabeth sussurra em seu ouvido novamente, um sorriso malicioso brotando em seus lábios.
- Creio que não – ele ri - mas é só olhar pra você e logo me perco! Preciso aprender a controlar meus instintos, Elizabeth. – Edgar a fita nos olhos novamente, enquanto as pontas dos seus dedos percorrem o rosto de porcelana. – Você me acalma como ninguém, e ao mesmo tempo me enlouquece!
- Acredito que este seja o papel de uma boa amante, meu Senhor - Ela sorri novamente, puxando o rosto de Edgar com delicadeza e mordendo seu lábio inferior de forma sedutora. Ela estava provocando-o.
Uma voz os interrompe.
- Meu Senhor, precisa que nos retiremos do salão?
- Não é necessário Victor, temos assuntos importantes á tratar – Edgar sorri, e por um momento desviou os olhos de Elizabeth, soltando-a de seus braços e despedindo-se com um beijo – À noite resolvo meus assuntos com Elizabeth – diz, seu sorriso malicioso e perfeito tomando conta de suas feições.
- Certamente, meu Senhor – Victor ri divertido, e todos os membros presentes no salão riram em conjunto, baixinho, enquanto observavam Elizabeth se afastar, com passos angelicais.