quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Lady of peace - part 3



Cansado e nervoso, Edgar retirou-se do salão, encerrando mais um dia fatídico de acordos de poder.
Com passos rápidos e decididos caminha em direção aos seus aposentos, esperando encontrar o seu copo de Xerez no lugar de sempre. Uma rotina da qual não se cansa.
‘Sentar-se na poltrona com o copo na mão, as janelas abertas permitindo a entrada de uma brisa fresca, e por fim, fechar os olhos e descansar a mente...’
Era nisso que seus pensamentos fixavam-se no momento, enquanto percorria os grandes corredores.
Sua amante deveria estar no lugar de sempre: ao redor do lago, em baixo da sombra de uma bela arvore acompanhada de alguma servente para que pudesse ser abanada, enquanto degustava de algumas frutas saborosas e...

“- Eu preciso de um pouco mais de atenção, sinto-me esquecida por ele, sempre envolvido em assuntos de negócios, há muito tempo não sei o que é passar o dia com o meu Senhor, a sós”
“- Minha Senhora, se me permite perguntar, ele não a procura mais, durante a noite?”  
“- Sim Piccolo, ele ainda me procura a noite, mas eu preciso de um pouco mais do que um contato carnal... sinto falta da época em que corríamos pelos gramados, nos molhávamos no riacho, sinto falta das coisas simples.”
“- A Senhora chegou a conversar com ele sobre isso?”
“- De forma alguma! Não quero incomodá-lo, muito menos chatea-lo com minhas vontades tolas.”

Edgar havia parado, suas costas estavam escoradas na parede rochosa, enquanto forçava-se a escutar a conversa vinda de não muito longe dali.
Seus pensamentos vagavam entre passado e presente, enquanto ouvia Elizabeth desabafar com Piccolo, um dos serventes mais próximos a ela.
Sempre foi uma mulher sem preconceitos, de gostos simples, algo do qual admirava.
Edgar sentiu o coração apertar enquanto sua mente era invadida por lembranças.
Muitas coisas haviam mudado desde que assumiu o seu posto. Uma delas era sua vida com Elizabeth.
Agora eram mais maduros, rodeados de compromissos, e a frequência com a qual ficavam a sós era cada vez menor.
A verdade é que também sentia falta de tudo que vivera um dia.
Em seus tempos de liberdade, cometera muitas insanidades, vivendo intensamente cada momento.
Um libertino nato, acostumado a conquistar todas as mulheres que desejou, e eis que do dia para a noite, se vê enredado pela resistência de Elizabeth.
‘Uma jovem rica, de gostos simples, e perturbadoramente linda.’
Era assim que a descrevia.

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