quarta-feira, 25 de abril de 2012

8


"Eu fecho meus olhos apenas por um momento, e o momento se foi." (Scorpions)


Sonhos


13:30 da tarde.
Meu celular vibra no bolso.
Um número desconhecido aparece na tela, eu atendo.
- Alô? - diz uma voz masculina, uma que não me canso de ouvir.
- Oi - respondo surpresa.
"Como ele tem meu número?"
- Onde você está agora? - pergunta a voz com certa urgência.
- No centro - falei receosa -  tenho aula de inglês mais tarde.
- Pode vir me encontrar? Estou na aula.
- Posso... porque? - pergunto preocupada.
- Preciso te ver, falar com você - ele faz um pausa - Venha agora. Por favor.
Sinto um frio na barriga, meu coração acelerado, e eu mal consigo falar.
"Ele quer me ver?"
- Ei, você está ai?
- OH! Sim, bem, estou indo - respondo, com um sorriso nos lábios, as maças do rosto queimando.
Desligo.
"O que será que ele quer comigo, agora?"
Olho para o relógio.
"Tudo bem, vamos lá..."
Caminho pela rua, o sol quente sobre a minha cabeça, o mormaço do asfalto em baixo dos meus pés.
E de repente tudo some.
Olho para o lado e o vejo, encostado em uma parede, os braços cruzados sobre o peito, pensativo.
Me aproximo, sem saber ao certo o que estava acontecendo, ele me olha, e um sorriso brota em seus lábios, seus olhos brilhando como dois diamantes, e eu quase me perco ali...
Eu paro quando o vejo se aproximar também, seus passos estão firmes, decididos, e seus olhos continuam em mim.
Ele para na minha frente e segura minhas mãos, nossos dedos se entrelaçando perfeitamente, como se fosse um quebra-cabeça.
E seu sorriso fica cada vez maior, um sorriso sincero, e tímido.
Meu coração para por um momento. E logo depois começa a disparar como um louco.
Minha mão está dormente, e meu corpo recebendo uma descarga elétrica.
"O que está acontecendo comigo?"
Ele me puxa para mais perto de si e me envolve em seus braços, em um abraço de urso, e logo após beija o meu rosto.
Nunca havia me abraçado desse jeito.
Nos separamos por alguns segundos, nossos rostos a milímetros de distancia.
Seu braço está ao redor da minha cintura agora, me puxando cada vez mais perto...
- Vamos?! - pergunta com um sorriso lindo.
- Mas aonde? - falo quase sem fôlego, me sentindo confusa, perdida, e muito feliz.
- Você vai ver - é só o que me responde, seu sorriso cada vez mais divertido.
Ainda sob o efeito do seu abraço, tento me equilibrar e caminhar junto com ele.
Um abraço tão bom... quente, forte e protetor.
Só queria poder eternizar este momento.
Andamos em direção a uma loja logo ao lado, e quatro pessoas estão lá dentro.
Nos esperando?
- E então, é ela? - diz uma voz feminina, sorrindo.
Os quatro me olham e me analisam.
Ele me olha também, e me vira de frente para ele.
Fico de cabeça baixa, toda sem jeito, e não entendendo nada.
Ele levanta meu rosto, segurando meu queixo com a mão.
- É ela - diz, com um brilho tão intenso em seus olhos que mal consigo aguentar...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

6














"Bebendo café e lendo mentiras.
Viro meu rosto e posso vê-la.
Poderia mesmo ser você?" (Sonata Arctica)




Alice



Segunda-feira, 07:30 da manhã de um dia nublado.
Estou tomando café na Starbucks Coffee, um Sumatra bem encorporado, fumando meu Marlboro e lendo um jornal.
A noite passada havia sido terrível, e estava muito cansado.
Não dormi um minuto.
Uma manchete no jornal chama a minha atenção:


Briga em bar termina em morte.


Lembranças da noite anterior tomam conta da minha mente.
Bebo um longo gole de café, desejando com todas as minhas forças que ele pudesse me apagar.
Que me fizesse esquecer de tudo, esquecer dela.
Sinto o gosto do vomito na minha garganta, quase que de imediato.
Meu estômago revirando dentro de mim.
E então eu a vejo... caminhando pela rua, como se nada tivesse acontecido.
Uma alucinação?
Sinto meu corpo todo travar, as veias dilatando, e uma dor horrível na cabeça.
Ela para para olhar a vitrine de uma loja, e posso ver meu reflexo ao seu lado.
Meus dentes começam a ranger, e percebo o quanto estou descontrolado.
Olho para o café em cima da mesa.
"Café de merda"
- Ei, John!
Ouço Paul gritar meu nome.
Largo o jornal em cima da mesa, fumo meu cigarro e deixo o café de lado.
E não tiro os olhos dela, que continua na vitrine, ao lado do meu reflexo morto.
Ela se vira ao ouvir meu nome, seus olhos assustados encaram os meus.
- John!
Paul grita novamente, mas eu não consigo sair dali...
Ela me viu, eu queria que me visse.
- Ei, cara, estou te chamando, qual o seu problema? -  Paul me puxa para trás, irritado.
"Alice, esse é o meu problema"
- Nada, vamos sair daqui. - Falo rápido enquanto me levanto da cadeira, aproveitado o momento.
Paul fica ali parado, me encarando, como se tentasse descobrir alguma coisa.
Ele olha ao redor, e sua mão agarra a gola do meu casaco com força.
- Esqueça ela cara! Não basta tudo o que essa vadia já te fez passar?
Eu o olho, sabendo que tem razão, e sabendo também que provavelmente nunca vou esquece-la.
- Claro que não esqueci! Mas, que droga cara, você não entende.
- É muito simples, ela não te ama, NUNCA AMOU, será que é tão difícil pra você entender?
Vejo a raiva nos olhos de Paul.
- Não é difícil de entender, e sim de aceitar. - Digo em meio a ranger de dentes.
- Ela traiu você, na sua frente, sem dar a minima pra qualquer coisa. E você fica ai, sofrendo por quem não merece!
- Pelo menos o desgraçado está morto. - dou uma risada diabólica.
- E por pouco não foi você quem o matou. - observou Paul
- É uma pena que ele tenha disparado a arma contra si, enquanto lutava comigo... gostaria de te-lo matado eu mesmo!
Descontrolado, jogo o cigarro para longe, sabendo que fui um idiota o tempo todo. Amando com todas as minhas forças uma pessoa que nunca existiu, afinal, ela era uma farsa.
Olho para o lado, esperando encontra-la pela última vez, mas ela não está mais lá.
E juro pra mim que está foi a última vez em que nos vemos...


domingo, 22 de abril de 2012

5


"Não é fácil amar, mas você tem amigos em que pode confiar." (Queen)


O quarteto fantástico?


Sexta-feira, 00:30
Estou voltando de uma festa com meus amigos.
Meus mais novos amigos, para ser exata.
Uma semana que saímos juntos, e já temos muitas histórias para contar.
Dias rindo até passar mal, noites em claro na rua tomando coca-cola, fins de semana no cinema assistindo filmes idiotas e comendo na Pizzaria até passar mal... essa é a minha vida, ultimamente.
Agora estamos aqui, no meio da rua, parecendo um bando de loucos.
E com muita fome, como sempre.
- Ei, vamos á minha casa, acho que sobrou uns cachorros-quentes de ontem... - Disse Alan, o mais novo de nós quatro.
- Acho uma ótima ideia, estou morrendo de fome - fiz uma careta - E você Brian?
- Pra já, comer é comigo mesmo - ele riu
- Lizy? - Falamos todos juntos
- Hum... acho que hoje não, estou muito cansada, e amanhã eu trabalho cedo - falou em meio a dengos.
Nós todos bufamos.
- Sempre nos deixando não é mesmo Lizy? - Falei, meio indignada.
É sempre assim, nunca fica até o final,  está sempre cansada... ás vezes nem parece que tem 18 anos.
- Me desculpa tá, mas eu tenho mais o que fazer da vida, não fico o dia todo em casa sendo sustentada pelos meus pais...
Silencio
Olho para ela com uma cara meio Serial Killer.
"BITCH"
- Tudo bem, vamos sem ela - Disseram Alan e Brian ao mesmo tempo, já prevendo mais uma de nossas brigas.
- Vamos mesmo. - Concordei, não querendo arrumar confusão com ela, afinal, somo amigas... não é mesmo?
Deixamos Lizy em casa, como de costume, e migramos rumo a casa de Alan, uma mansão daquelas de tirar o folego.
A rua estava deserta, e as luzes apagadas.
- Tem certeza que podemos entrar? - Perguntei.
- É claro, meus pais estão viajando, a casa é toda nossa hoje - Alan deu um sorrisinho perverso.
Entramos.
Um silencio absoluto.
Pude avistar a sala de estar, e logo após, a cozinha. Onde estariam nossos cachorros-quentes.
Meu estômago roncou, e todos rimos.
- Hey, vamos lá comer e depois jogar alguma coisa, sintam-se a vontade... Brian, você já conhece a casa - Alan piscou o olho.
- Jogar? - Perguntei
- Sim, Alan tem um Playstation - Disse Brian com um sorriso.
Eu adoro vídeo games... desde pequena.
Sentei-me no grande sofá, e Brian foi direto ligar o Playstation.
Viciados.
Bem, pra falar a verdade, eu também sou.
Alan estava na cozinha, pude vê-lo do sofá, parecendo meio perdido, como sempre.
- Precisa de ajuda? - Gritei
Ele me olhou rápido.
- Não, não, tudo bem, acho que consigo esquenta-los. - Disse rindo.
- Eu espero que sim - Brincou Brian.
- E então, acha que aguenta nos ver jogando moça? São jogos violentos... - Eles riram
- Então, com certeza não quero vê-los jogando - Falei com um sorrisinho sarcástico.
- Eu sabia - Brian sussurrou
- Quero jogar junto - Disse enquanto me levantava do sofá - E eu escolho


sábado, 21 de abril de 2012

4


Eu desejaria poder tirar isso
E salvar-te de você mesmo
Você se perdeu tanto dentro de sua cabeça como ninguém mais... (Foo Fighters)


Dear friend


Pude vê-lo sentado em um banco de madeira da praça central da cidade.
Sozinho, pensativo e parecendo muito triste...
Eu podia sentir que algo não estava bem, que tinha uma coisa muito errada acontecendo.
Sempre foi um cara alegre, de bem com a vida, cheio de sonhos, e com muito amor no coração.
Porque ele está se comportando desse jeito?
Não é a primeira vez que eu o vi assim.
Tudo começou quando uma mulher partiu seu coração, desde então nunca mais foi o mesmo.
Passava noites inteiras em bares tomando Jack Daniel's, fumando seu Marlboro, acabando-se pouco a pouco.
Será que você não vê o quanto era um cara incrível, pra se perder por ai, destruir-se desse jeito?
Eu só queria poder parar com isso tudo, faze-lo voltar a si, porque você está perdido dentro de si mesmo.
Mas o que eu poderia fazer?
Você não quer nenhuma ajuda, e isso está me matando por dentro.
Eu o vejo tirar alguma coisa do bolso, e meu coração por um momento para.
Ele levanta-se do banco e caminha em direção a mata escura.
Sinto um arrepio percorrer todo meu corpo, eu quero poder gritar, mas não consigo.
Estou paralisada.
Será que não há esperanças pra você? Tudo tem uma saída...
Sou despertada ao som de um tiro.
Sinto um embrulho no meu estomago, já imaginando que tenha acontecido o pior.
Mas não tenho coragem de ir até você, sei o que me espera...
O tempo passa e me sinto sufocada.
Porque você fez isso?
De repente vejo um vulto nas sombras, alguém que sai detrás das árvores.
Ele atira uma arma para longe, me olha nos olhos, seu rosto perturbado.
E então se vai, pelas ruas da cidade, como sempre faz.
E ali eu sei, que você não desistiu de tudo, que este ainda não é o seu fim...


sexta-feira, 20 de abril de 2012

3








Eu queria te contar o que estou sentindo
Eu poderia mentir para mim mesmo, mas é verdade
Não há dúvidas quando olho nos seus olhos... (Kiss)




Victoria - part 1



Estou deitado em minha cama velha e barulhenta, a chuva torrencial caindo do lado de fora me deixando propicio a uma onda de tédio. Meu livro surrado de sempre está ao meu lado, pedindo para ser lido pela vigésima vez. Um barulho chama a minha atenção, apesar da chuva forte. São passos de alguém subindo a escada, lentamente, passos leves e sincronizados, os quais vão ficando mais forte, mais próximos.
Alguém bate na porta.
Caminho até lá, com o coração acelerado, já sabendo quem irei encontrar do outro lado, quando abrir-la.
Um sorriso brota em meus lábios, sabendo que a verei novamente.
A porta abre com um leve rangido, e atrás dela, revela-se uma bela mulher, seus cabelos ondulados de cor castanho fogo, caindo como uma cascata sobre seus ombros.
A pele clara, macia, seu perfume de lavanda, os olhos azuis franjados por longos cílios, a sobrancelha perfeitamente desenhada , o nariz fino, os lábios voluptuosos...
Toda a nostalgia de dias de um passado que se foi, carregados de boas memorias e risadas.
Essa mulher está ali, escorada na parede encardida do cortiço onde moro, me encarando, tímida e ao mesmo tempo sedutora.
- Posso entrar? - pergunta, com um sorriso levemente malicioso.
Sorrio de volta, enquanto calculo quanto tempo fiquei olhando-a feito um bobo, admirando aquele corpo, as curvas perfeitas, tanta beleza e personalidade em uma única mulher.
- Você sempre pode - digo, gesticulando para que entre.
Ela caminha até a sala, enquanto tira seu sobretudo, molhado da chuva.
Fecho a porta, sem desviar os olhos de cima dela. 
"Victoria"
Sussurro seu nome em minha mente, um nome tão lindo, para um mulher igualmente bela.
- E então, seremos só nos dois hoje? - pergunta-me, arqueando uma das sobrancelhas.
Ela tira as botas agora, para se sentir mais confortável.
- Se você quiser... não pretendo dividi-la com mais ninguém. Como nos velhos tempos.
- Ótimo, faz tanto tempo que não nos vemos - ela sorri, animada como sempre foi.
- Muito tempo! Alias, arrisco dizer que os anos tem sido muito generosos para contigo.
Ela sorri timidamente.
- É mesmo? Em que sentido? - sorri divertida.
 - É... Digamos que você tenha ficado cada vez melhor -
"Como pode ter mudado tanto?" 
"Como é possível que ainda me deixe louco desse jeito?"
- Bom, engordei um pouquinho, achei que seria interessante colocar um pouco mais de carne nesse corpo, você sabe - ela pisca em minha direção.
- Claro, é algo válido se faz você se sentir melhor, mas isso não me ajuda a não querer você - Respondo, uma onde de desejos me invadindo, me deixando confuso.
- James... está tudo bem? - pergunta com a expressão séria.
Olho para seu olhos azuis, aqueles dos quais sempre fizeram-me perder em pensamentos.
"Na verdade não... eu quero você, agora"
- Sim, tudo bem. - respondo com um sorriso forçado, para disfarçar a vontade de te-la em meus braços.... - Café?
- Ah sim, aceito - diz Victoria, enquanto senta-se em meu sofá velho, com o rosto corando.



quinta-feira, 19 de abril de 2012

2



"Eu faria qualquer coisa por um sorriso, segurando você até nosso tempo acabar." (Avenged Sevenfold)



Reflexões


Como de costume, estava ouvindo meu bom e velho Rock n' Roll, no último volume, esperando o tempo passar.
Alias, é incrível como uma boa música pode te desligar do mundo, das coisas ao seu redor, te teletransportar para tantos lugares.
A música traduz nossos sentimentos, as letras dizem tudo o que estamos sentindo, o ritmo nos acalma, e nos sentimos tão bem...
Foi quando comecei a refletir, é sempre assim, começo a pensar em tudo, a questionar tudo, a sonhar, a planejar o futuro com coisas que nem aconteceram, e que talvez nunca cheguem a acontecer :~
Meu casamento... - era sobre isso que eu pensava naquele momento - casar (se chegar a casar) ao som de um bom rock, Pink Floyd - Wish you were here.
Parece perfeito, eu entrando na igreja, ele me esperando no altar, a música de fundo...  tão lindo.
Depois nós dois vivendo em uma casa, dormir e acordar todos os dias um ao lado do outro, ser a primeira a ver seu sorriso, estar sempre ali para o que der e vier.
Nossas tardes de domingo ouvindo músicas, jogando vídeo games, comendo brigadeiro de panela, assistindo filmes (quem sabe até um filme de terror, porque eu vou te-lo ali para me abraçar, se sentir medo), caminhar na avenida, tomar um sorvete, ficar cobertos juntinhos quando for bem frio.
Jantar em um restaurante aos sábados, levantar juntos de madrugada para comer um pedaço de torta, viajar, não importa aonde.
Compartilhar momentos, rir até não aguentar mais, ser afagada, mimada, amada, enfim, ser feliz.
Mas para que tudo isso aconteça, eu preciso encontrar um cara, um que me ame o suficiente para querer passar o resto da vida ao meu lado...
E talvez eu já o tenha encontrado... apenas não sabia disso.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

1


"Mas em meu coração, tenho sentimentos que nunca demonstrei" (Guns N Roses)


Remember me...



A noite está linda. A lua cheia iluminando o jardim e as estrelas enfeitando o céu escuro.
Está esfriando e a neblina havia chegado a algum tempo, enquanto nós dois nos embalávamos de um lado ao outro, nossos corpos entrelaçados perfeitamente ...
Eu havia deixado minha timidez de lado, era só eu e ele, ao som da nossa música.
Ele a sussurra em meu ouvido, a voz doce, o hálito fresco.
Ele me ama, e isso é tão perfeito, tão bom, que chego a sentir medo.
Medo de não ser real, medo de que acabe um dia, medo de perde-lo...
Sentimentos bobos? Talvez.
No fundo eu sei que ele nunca irá me deixar, que isso vai ser pra sempre, porque nascemos um para o outro, eu posso sentir isso com todas as minhas forças.
Lembro da primeira vez que nos conhecemos...
Agora estamos aqui, juntos, nos abraçando tão forte como se a vida de cada um depende-se disso.
E o aperto no peito continua mesmo depois de tanto tempo, por que eu o amo, amo tanto, que chega a doer, e é difícil de explicar esse sentimento, pois só quem ama sabe, só quem ama sente...