sexta-feira, 20 de abril de 2012

Victoria - part 1



Estou deitado em minha cama velha e barulhenta, a chuva torrencial caindo do lado de fora me deixando propicio a uma onda de tédio. Meu livro surrado de sempre está ao meu lado, pedindo para ser lido pela vigésima vez. Um barulho chama a minha atenção, apesar da chuva forte. São passos de alguém subindo a escada, lentamente, passos leves e sincronizados, os quais vão ficando mais forte, mais próximos.
Alguém bate na porta.
Caminho até lá, com o coração acelerado, já sabendo quem irei encontrar do outro lado, quando abrir-la.
Um sorriso brota em meus lábios, sabendo que a verei novamente.
A porta abre com um leve rangido, e atrás dela, revela-se uma bela mulher, seus cabelos ondulados de cor castanho fogo, caindo como uma cascata sobre seus ombros.
A pele clara, macia, seu perfume de lavanda, os olhos azuis franjados por longos cílios, a sobrancelha perfeitamente desenhada , o nariz fino, os lábios voluptuosos...
Toda a nostalgia de dias de um passado que se foi, carregados de boas memorias e risadas.
Essa mulher está ali, escorada na parede encardida do cortiço onde moro, me encarando, tímida e ao mesmo tempo sedutora.
- Posso entrar? - pergunta, com um sorriso levemente malicioso.
Sorrio de volta, enquanto calculo quanto tempo fiquei olhando-a feito um bobo, admirando aquele corpo, as curvas perfeitas, tanta beleza e personalidade em uma única mulher.
- Você sempre pode - digo, gesticulando para que entre.
Ela caminha até a sala, enquanto tira seu sobretudo, molhado da chuva.
Fecho a porta, sem desviar os olhos de cima dela. 
"Victoria"
Sussurro seu nome em minha mente, um nome tão lindo, para um mulher igualmente bela.
- E então, seremos só nos dois hoje? - pergunta-me, arqueando uma das sobrancelhas.
Ela tira as botas agora, para se sentir mais confortável.
- Se você quiser... não pretendo dividi-la com mais ninguém. Como nos velhos tempos.
- Ótimo, faz tanto tempo que não nos vemos - ela sorri, animada como sempre foi.
- Muito tempo! Alias, arrisco dizer que os anos tem sido muito generosos para contigo.
Ela sorri timidamente.
- É mesmo? Em que sentido? - sorri divertida.
 - É... Digamos que você tenha ficado cada vez melhor -
"Como pode ter mudado tanto?" 
"Como é possível que ainda me deixe louco desse jeito?"
- Bom, engordei um pouquinho, achei que seria interessante colocar um pouco mais de carne nesse corpo, você sabe - ela pisca em minha direção.
- Claro, é algo válido se faz você se sentir melhor, mas isso não me ajuda a não querer você - Respondo, uma onde de desejos me invadindo, me deixando confuso.
- James... está tudo bem? - pergunta com a expressão séria.
Olho para seu olhos azuis, aqueles dos quais sempre fizeram-me perder em pensamentos.
"Na verdade não... eu quero você, agora"
- Sim, tudo bem. - respondo com um sorriso forçado, para disfarçar a vontade de te-la em meus braços.... - Café?
- Ah sim, aceito - diz Victoria, enquanto senta-se em meu sofá velho, com o rosto corando.



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