quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lady of peace - part 2


Caminhando pelos vastos corredores, entre construções monumentais e pequenas flores amarelas, Elizabeth Thomson refletia sobre sua vida até esse momento.
Nascida em uma família de nobres, criada e educada em meio aos luxos da corte, nunca soubera como era a realidade dos pobres.
Seu único conhecimento sobre o assunto era baseado no que seus servos lhe contavam, entre um banho e outro.  Muitos desses servos nascidos no Vilarejo de Misfit, vilarejo ao qual Edgar atacara durante a madrugada.
Elizabeth sentiu um aperto no peito, seu Senhor acabara de destruir, não só mais um vilarejo, mas também famílias, histórias, sonhos. Isso tudo a perturbava.
Nunca aprovara tais atitudes, mas sabia que a luta pelo poder não pode ser evitada.  
Ela é necessária.
Seu único desejo era que todos pudessem viver em perfeita paz, sem sangue derramado.
Mas como? Ela temia nunca encontrar a resposta.
- Uma bela pintura, não achas Senhorita? – A voz de um dos servos interrompe seus pensamentos, quebrando o silencio.
Ela olha em direção a voz, percebendo que estivera parada há bastante tempo ao lado de uma pintura de Edgar, feita por Pierre-Auguste Renoir.
- Uma bela pintura, sem dúvida – ela respondera, um pequeno sorriso formando-se em seus lábios.
E o aperto no peito se misturou com o calor que sentia toda vez que o olhava.
De estatura alta, cabelos pretos e desarrumados, corpo forte transpassando toda a sua virilidade, um rosto magro, composto por belos olhos castanhos, um sorriso extremamente sedutor e ao mesmo tempo sarcástico, capaz de derreter até o mais frio dos corações, Edgar Linton era o homem mais poderoso que já existiu, mesmo com seus 35 anos de idade, fizera muito mais do que homens que estiveram por muitos anos no poder. Ele era sábio, inteligente, estrategista, sem sombra de dúvidas um Lord invejável e cobiçado.
Sempre cercado de belas mulheres e homens de negócios, nunca perdera uma oportunidade sequer. 
Porém o que poucos sabem, é que atrás de toda essa capa de gloria, poder e riqueza, existe um homem comum, que anseia pelas coisas simples da vida.

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Ainda reunidos no salão, os membros da corte buscavam respostas, respostas rápidas e vantajosas. Eles queriam poder, glória, riquezas. A eterna busca por uma vida fútil, onde o único objetivo é ser o melhor, o melhor em tudo. Esquecendo-se que o mais importante é enriquecer o espírito.
Homens formados por um exército de desejos e vontades. Perdendo-se em um mar de caprichos e reivindicações.
Edgar tornou a sentar-se no trono, agora mais calmo e decidido.
Iria atacar o Vilarejo de Angra, lugar onde muitos se refugiaram durante a madrugada.  Seus homens estavam planejando o ataque cuidadosamente, à ordem era atacar de surpresa durante a noite, tudo deveria ser meticulosamente preparado, um erro se quer traria sérias consequências.
- Meu Senhor, não acha que está indo longe demais com a vingança? – Interrogou Victor, preocupado.
- Não deixarei pedra sobre pedra! – A face de Edgar se enrijeceu, tornando-se dura e fria novamente. 

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