Aqui estou, acordando mais uma vez sem você ao meu lado.
Tudo parece deserto, sem vida. Seu nome está escrito por todos os lados, e me sinto cercada pela sua ausência. Ouço vozes ecoando pelos cantos desabitados, os sons familiares das nossas risadas que outrora foram acaloradas.
Quando foi que desistimos de nós?
Eu encaro o espelho, eu tiro a roupa.
As lembranças do teu toque estão em cada misero poro do meu corpo.
Eu pego uma cerveja, e eu bebo na esperança de virarmos um só. Ela tem o teu gosto.
Ela me lembra o teu sabor, em uma sexta-feira a noite qualquer, em um jogo de sinuca.
Eu acendo um cigarro, daqueles vagabundos que você fumava quando estava nervoso. Eu acendo na esperança de ser invadida pela lembrança do teu cheiro.
Mas teu cheiro era único, meu amor, um cheiro que cigarro algum era capaz de camuflar.
Eu me viro para o espelho novamente, nua, bêbada, e com um cigarro queimando entre os dedos.
A visão é deprimente, decadente.
Quando foi que eu desisti de mim?
Eu apago o cigarro e o jogo pela janela, eu estou dando adeus.
Eu vou até o banheiro e vomito, não apenas o álcool, mas igualmente você.
Eu tomo um banho, eu me visto, faço a minha maquiagem preferida, aquela carregada de batom vermelho. Eu me encaro no espelho novamente.
Ali, diante de mim, está alguém que vale a pena.
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