terça-feira, 15 de maio de 2012
Amizade Colorida
Estou terminando de escovar meus dentes, quando escuto uma buzina de carro.
Meu coração dá um pulo.
Quatro anos ouvindo essa mesma buzina, toda a manhã, e eu ainda me assusto.
Desço as escadas apressada, vou até a cozinha e pego as minhas coisas.
A porta se abre, e um corpo alto e magro se revela.
- Estou atrasada - digo com um sorriso tímido.
- Não me diga! - ele ri - Se você se apressar, a gente ainda consegue chegar a tempo.
Ele pega as minhas coisas e leva até o carro, como de costume.
Sento-me a seu lado e olho o relógio.
- Não vamos chegar a tempo - ele fala mais rápido.
- Não, droga, vamos perder a primeira aula.
- Droga? Vamos perder a primeira aula, isso é ótimo, não gosto dessa matéria - ele sorri, divertido.
- Sabe que não gosto de perder aula.
- Sempre certinha de mais.
- Sempre despreocupado - digo com uma careta.
Ele liga o carro, e o som do motor é tudo que podemos ouvir.
- E então, o que vamos fazer, já que perdemos a aula? - ele pergunta
- Sei lá, minha vontade é de voltar pra cama e dormir - digo com um bocejo.
- Então vamos - ele sorri, desligando o carro.
- Vamos aonde? - pregunto.
- Voltar pra sua casa - ele fez uma pausa - Mas não dormir, conversar - ele dá um sorriso malicioso.
- Conversar sobre o que?
- Sobre o fato de que eu sempre gostei de você, e nunca admiti.
Silêncio.
Meu coração dá um pulo, e logo depois dispara.
"Tudo bem, isso é sério?"
- Não sei o que dizer - faço uma pausa - Sempre vi você como um...
- Amigo? - ele se adianta
Outra pausa.
- Pensei que você só me visse como amiga, então nunca quis vê-lo de outra forma, pra não estragar tudo.
- Acho que gostei de você desde a primeira vez que a vi, quando você caminhava até a sala, cheia de livros e tropeçou no próprio pé. - ele ri, divertido
Fico vermelha só de lembrar, sempre fui desastrada.
- Obrigado por me lembrar disso - dou um sorriso tímido, e logo depois solto uma gargalhada, me dando conta do que acabou de acontecer aqui.
- O que foi? - ele sorri, duvidoso.
- Ai, eu sou uma boba mesmo!
- Você é - ele fez uma pausa - é a minha boba.
- Acho que no fundo, bem lá no fundo, eu sempre fui.
- Boba? - ele ri.
- Sua - respondo.
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