segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alice



Segunda-feira, 07:30 da manhã de um dia nublado.
Estou tomando café na Starbucks Coffee, um Sumatra bem encorporado, fumando meu Marlboro e lendo um jornal.
A noite passada havia sido terrível, e estava muito cansado.
Não dormi um minuto.
Uma manchete no jornal chama a minha atenção:


Briga em bar termina em morte.


Lembranças da noite anterior tomam conta da minha mente.
Bebo um longo gole de café, desejando com todas as minhas forças que ele pudesse me apagar.
Que me fizesse esquecer de tudo, esquecer dela.
Sinto o gosto do vomito na minha garganta, quase que de imediato.
Meu estômago revirando dentro de mim.
E então eu a vejo... caminhando pela rua, como se nada tivesse acontecido.
Uma alucinação?
Sinto meu corpo todo travar, as veias dilatando, e uma dor horrível na cabeça.
Ela para para olhar a vitrine de uma loja, e posso ver meu reflexo ao seu lado.
Meus dentes começam a ranger, e percebo o quanto estou descontrolado.
Olho para o café em cima da mesa.
"Café de merda"
- Ei, John!
Ouço Paul gritar meu nome.
Largo o jornal em cima da mesa, fumo meu cigarro e deixo o café de lado.
E não tiro os olhos dela, que continua na vitrine, ao lado do meu reflexo morto.
Ela se vira ao ouvir meu nome, seus olhos assustados encaram os meus.
- John!
Paul grita novamente, mas eu não consigo sair dali...
Ela me viu, eu queria que me visse.
- Ei, cara, estou te chamando, qual o seu problema? -  Paul me puxa para trás, irritado.
"Alice, esse é o meu problema"
- Nada, vamos sair daqui. - Falo rápido enquanto me levanto da cadeira, aproveitado o momento.
Paul fica ali parado, me encarando, como se tentasse descobrir alguma coisa.
Ele olha ao redor, e sua mão agarra a gola do meu casaco com força.
- Esqueça ela cara! Não basta tudo o que essa vadia já te fez passar?
Eu o olho, sabendo que tem razão, e sabendo também que provavelmente nunca vou esquece-la.
- Claro que não esqueci! Mas, que droga cara, você não entende.
- É muito simples, ela não te ama, NUNCA AMOU, será que é tão difícil pra você entender?
Vejo a raiva nos olhos de Paul.
- Não é difícil de entender, e sim de aceitar. - Digo em meio a ranger de dentes.
- Ela traiu você, na sua frente, sem dar a minima pra qualquer coisa. E você fica ai, sofrendo por quem não merece!
- Pelo menos o desgraçado está morto. - dou uma risada diabólica.
- E por pouco não foi você quem o matou. - observou Paul
- É uma pena que ele tenha disparado a arma contra si, enquanto lutava comigo... gostaria de te-lo matado eu mesmo!
Descontrolado, jogo o cigarro para longe, sabendo que fui um idiota o tempo todo. Amando com todas as minhas forças uma pessoa que nunca existiu, afinal, ela era uma farsa.
Olho para o lado, esperando encontra-la pela última vez, mas ela não está mais lá.
E juro pra mim que está foi a última vez em que nos vemos...


3 comentários:

  1. báaahhhh, tu tá ligada nas marcas de cigarro e bebidas hein?
    USHAUHSUAHSUHAUSHASU
    bom texto, quanta revolta meu
    mother of god hein
    HUSHAUSHUAHSUAHS
    parabéns, muito bom

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  2. Fico sinistro o final, meio maquiavélico.
    Mas muito bom ao mesmo tempo.. skpaoskpaoskpaokspoas

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  3. Obrigado meus caros amigos leitores HSUAHSAUHSUAHSU

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